Arquitetura
Edifício TRÆ / Lendager Arkitekter

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Descrição enviada pela equipe de projeto. O primeiro arranha-céu de madeira reciclada do mundo — e a torre de madeira mais alta da Dinamarca — TRÆ é um farol de 78 metros da construção circular, demonstrando que a arquitetura em grande escala pode combinar materiais reaproveitados, recursos biogênicos, estética refinada e alto desempenho sem concessões.

Localizado no porto de Aarhus, uma área marcada por traços industriais e desigualdade social, o projeto buscou unir renovação ecológica, social e arquitetônica. O contexto cultural do local — uma antiga zona industrial em transformação para um distrito urbano vibrante — exigia um edifício capaz de simbolizar mudança e estabelecer novos padrões de sustentabilidade. A ambição do cliente era clara: criar um marco que acelerasse o movimento em direção à construção circular. “Se podemos fazer diferente, podemos ajudar a impulsionar uma mudança. É isso que tentamos realizar com este projeto. Estamos totalmente comprometidos. Acreditamos que há demanda por esse tipo de edifício. Construir e viver de forma sustentável fará parte do DNA dessas empresas”, afirma Michael Bruhn, Diretor da PFA Real Estate.


Concebido como um experimento radical, o projeto buscou provar que um edifício alto poderia ser construído com madeira e resíduos sem comprometer segurança, desempenho ou viabilidade econômica. Criar a torre de madeira mais alta da Dinamarca significou enfrentar território desconhecido. Sem precedentes locais para estruturas desse tipo, a equipe precisou lidar com rigorosas exigências de incêndio e robustez, ar marinho salino, zonas de risco de explosão e poluição emitida por uma usina próxima. A ambição de integrar o máximo possível de materiais reaproveitados adicionou outra camada de complexidade, exigindo novos padrões técnicos e caminhos regulatórios. Colaboração intensa entre arquitetos, engenheiros, empreiteiros e autoridades municipais foi essencial, assim como processos contínuos de inovação e testes de incêndio em escala real para componentes não convencionais — como pás de turbinas eólicas reaproveitadas como sombreamento solar.

O conceito segue a filosofia da Lendager: a forma segue a disponibilidade. Essa abordagem celebra a beleza do descarte, transformando recursos rejeitados em valor arquitetônico. Situado no antigo porto industrial de Aarhus, TRÆ responde ao contexto bruto com fachadas feitas de chapas de alumínio recuperadas, organizadas para evocar a casca de bétula — manchada, irregular, viva. A escolha estética transforma imperfeições em identidade, criando uma superfície tátil e cintilante que muda conforme a luz e o clima. O nome TRÆ carrega três significados em dinamarquês — árvore, madeira e três — refletindo sua materialidade biogênica, sua ética ecológica e seus três volumes interligados. Essas três torres arredondadas se erguem de um terreno compacto, suas geometrias suaves maximizando a entrada de luz e criando uma presença escultórica na orla. Uma passarela ondulante liga o térreo à nova highline de Aarhus, costurando o edifício ao tecido urbano e convidando a interação pública. Funções no térreo, incluindo um restaurante operado por uma iniciativa social, ativam a rua, enquanto o “caminho serpenteante” atrai visitantes para o interior. Além da arquitetura, o projeto incorpora sustentabilidade social ao envolver pessoas em situação de rua na manutenção e ao acolher uma iniciativa voluntária que oferece refeições diárias para famílias em necessidade.

Estruturalmente, TRÆ combina pilares de madeira laminada colada e lajes de CLT, com núcleos de concreto de baixo carbono garantindo estabilidade e segurança contra incêndio. Quase todas as superfícies visíveis são reaproveitadas, upcycle ou biológicas. Cassetes de madeira compõem a fachada, revestidos com chapas de alumínio recuperadas de telhados industriais, telhados agrícolas e caixas de correio danificadas pela água. Pás de turbinas eólicas formam o sombreamento solar; janelas reutilizadas, têxteis descartados e feltro de PET configuram superfícies acústicas. Os interiores incluem pisos e painéis de madeira reaproveitada, enquanto árvores maduras transplantadas de áreas municipais reforçam o conceito de “árvore” e criam um ambiente verde imediato. Estudos com usuários e medições de conforto confirmam que os espaços parecem saudáveis e inspiradores. Funcionários destacam a qualidade tátil dos materiais reaproveitados e biogênicos, que geram sensação de calma e autenticidade, enquanto texturas naturais e luz do dia contribuem para a percepção de melhor qualidade do ar. Mais do que conforto, o próprio conceito inovador é visto como motivador e visionário, gerando orgulho em trabalhar em um edifício que desafia convenções e demonstra um novo modo de construir.


TRÆ prova que a circularidade pode ganhar escala. Avaliações de ciclo de vida mostram uma redução de 30% a 50% no carbono incorporado em comparação com um arranha-céu convencional de concreto. Ao unir inovação técnica e responsabilidade social, TRÆ estabelece novos parâmetros de conformidade regulatória e de reutilização de materiais em edificações altas. Seus três andares de “Living Lab” ampliam a exploração de materiais biogênicos e upcycle, gerando conhecimento para futuros projetos circulares e promovendo diálogo entre usuários, projetistas e pesquisadores. Além de seu desempenho ambiental, TRÆ contribui para o tecido cultural e social de Aarhus. Ele transforma um antigo porto industrial em um ambiente urbano vibrante, oferecendo fachadas táteis que brilham com alumínio recuperado e espaços públicos que convidam à convivência. Mais que um local de trabalho, ele se torna uma afirmação de possibilidades. Ao transformar resíduos em valor arquitetônico e reduzir carbono em larga escala, sinaliza um novo paradigma para a arquitetura global.

“TRÆ não necessariamente segue um ideal clássico de arquitetura ou beleza. Ele tem outra agenda e se apresenta como um enfrentamento enérgico das ‘soluções já testadas’ e da cultura de erro zero — um experimento apaixonado em escala real que provoca discussões sobre o que a arquitetura pode e deve ser em nosso tempo.” — Trecho do júri do Aarhus Architecture Awards 2025, no qual TRÆ recebeu o prêmio de Melhor Edifício

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
Arquitetura
Nova Prefeitura de Scharrachbergheim / AL PEPE architects

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- Área:
300 m²
Ano:
2025
Fabricantes: Artemide, Briqueterie Lanter, FARO Barcelona, Fils, Hoppe, Modelec, Auson

Descrição enviada pela equipe de projeto. A nova prefeitura de Scharrachbergheim, uma pequena vila da Alsácia, busca horizontalidade e transparência para se integrar ao magnífico entorno arborizado. A malha estrutural externa em madeira afirma o caráter público do edifício e garante uma estética atemporal. O tom escuro e aveludado do piche de pinho que protege a madeira, junto às proporções refinadas dos pilares, dialogam tanto com o enxaimel tradicional da vila quanto com as árvores do sítio. O revestimento em malha expandida de aço corten confere à fachada uma aparência quase têxtil e remete às tonalidades da pedra local (arenito dos Vosges), muito presente no núcleo histórico. O conjunto é contemporâneo e, ao mesmo tempo, enraizado; rigoroso, mas delicado — como se sempre tivesse feito parte do lugar.

Fonte: Archdaily
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