Arquitetura
Escritório Municipal de Turismo / Link architectes

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Descrição enviada pela equipe de projeto. Quase 2.000 anos atrás, Lugdunum (Lyon) estava principalmente localizada na colina de Fourvière. Para fornecer água potável a toda a cidade, quatro aquedutos transportavam água das montanhas próximas (Mont d’Or, Monts du Lyonnais, Pilat Massif) para a capital da Gália Romana. O aqueduto de Gier foi o mais longo (mais de 80 km) e tecnicamente o mais complexo, dada a geografia que atravessava. Seu legado mais espetacular hoje é o alinhamento de 72 arcos, que se destacam poderosamente no local do Plat de l’Air, ao norte da cidade de Chaponost. É aqui, em contato direto com um dos últimos vestígios tangíveis da memória romana da região, que a Comunidade de Municípios do Vallée du Garon escolheu estabelecer um novo escritório de turismo em 2019, no coração deste local notável. O terreno do projeto, localizado em contato direto com os arcos do aqueduto, era então um lote vago, levemente inclinado, classificado como terra agrícola no mapa de planejamento urbano local, limitando a construção futura a uma taxa de ocupação máxima de 100 m2.



Nesse contexto, nosso trabalho começa com a compreensão e medição de uma empreitada como a construção deste aqueduto na época romana, para transportar água a longas distâncias. Também é definido pela consciência da engenhosidade dos mecanismos empregados, que contribuem para a coerência técnica e estética da estrutura. O caminho histórico do aqueduto dialoga com a topografia do terreno, às vezes seguindo-a, às vezes confrontando-a. O local do projeto tem a especificidade de incorporar vários estados do aqueduto, entre seus trajetos aéreos e enterrados dentro da cidade de Chaponost, e no início, que atravessa o vale do Yzeron abaixo.


O aqueduto opera tanto na escala “macro” do território quanto na escala “micro” da construção e materialidade dos arcos. Um sistema que faz sentido, que molda e revela uma paisagem única. O novo escritório de turismo está ancorado nessa lógica. No entanto, qualquer analogia excessivamente simplista com a estrutura antiga não poderia competir com a profundidade histórica que o aqueduto evoca. Além disso, o pequeno tamanho do programa (100 m2) complica a relação desejada entre os dois volumes. O projeto não pode competir em termos de tamanho e presença, então ele retira suas intenções iniciais de uma reflexão que abrange o local, a paisagem, os solos e os caminhos. É concebido como um dispositivo cenográfico que destaca o aqueduto da perspectiva dos visitantes. Serve como um complemento ao aqueduto, menos um objeto arquitetônico, mais a construção de uma paisagem.



O projeto é imaginado como uma infraestrutura de serviço em vez de uma edificação, muito semelhante ao próprio aqueduto. A intenção não é reduzir a intervenção a um mero objeto construído, mas abrigar um espaço que, de certa forma, não tem nem começo nem fim, abraçando toda a paisagem que o enfrenta. O projeto segue a geometria do aqueduto de forma linear, dividido em três camadas: *A primeira camada, que coloca racionalmente as áreas de estacionamento em conexão direta com a via existente. Um caminho que liga a entrada do escritório de turismo e um prado que distancia o volume da rua, tanto para protegê-lo de incômodos quanto para abrir a vista do aqueduto. *A segunda camada inscreve o volume, apoiado por uma parede de contenção que gerencia a inclinação do terreno. *A terceira camada é mantida aberta, para não alterar todo o local.

O projeto é definido e reduzido a duas intenções elementares: uma parede que insere o projeto dentro do local e organiza os usos, e um telhado que os abriga. A parede, feita de concreto pigmentado e depois jateado, é posicionada paralelamente ao aqueduto e define uma plataforma embutida na profundidade do solo, abrigando funções de estacionamento e serviços públicos. Ela emerge de um lado e desaparece no solo do outro, se estendendo muito além do espaço do escritório de turismo. A parede atravessa o volume e continua além. Ela se torna espessa em determinados pontos dentro do volume para acomodar funções de serviço. Em frente, um grande espaço aberto reúne a recepção pública, a sala de exposições e a sala de reuniões. Sendo o espaço limitado, a ideia aqui é não perder área útil na circulação; cada metro quadrado é valioso. Dentro da parede, as funções rebaixadas servem ao espaço principal. O telhado abriga o espaço de recepção e exposição e se estende além para proteger as fachadas e formar um beiral na entrada, dobrando assim a área interna e reforçando sua função acolhedora. O limite entre interior e exterior é deliberadamente esfumaçado. Esta é a ambição do projeto: oferecer um espaço respaldado por uma “parede de funções”, aberto ao aqueduto.


O aqueduto é uma estrutura massiva e poderosa, construída utilizando um sistema de arcos repetitivos feitos de pedra, tijolo e terra. A ruína, em seu estado atual, revela uma construção rudimentar, que nos interessa revisitar de acordo com métodos de produção contemporâneos. Não se trata de recriar os arcos, nem de repetir um sistema construtivo que não faria sentido hoje. Em vez disso, trata-se de reinterpretar uma forma de construir e adaptá-la às habilidades de nosso tempo e localidade. O projeto, portanto, escolhe o concreto, mas com a ambição de trabalhar este material em ressonância com o aqueduto, através de seus tons e sua textura.

Uma série de pilares de madeira sustenta uma viga, que por sua vez sustenta todas as tesouras do telhado. Esta estrutura espelha o ritmo dos arcos, mas expressa leveza. O telhado é, portanto, reduzido à sua expressão mais simples, com uma rede de tesouras visíveis que caracteriza o espaço, conferindo uma identidade doméstica. O projeto visa ser acolhedor, e os materiais crus são deixados expostos, sem revestimentos. O telhado de zinco se integra à paisagem, garantindo a maior delicadeza possível em um espírito de “desaparecimento”, deixando espaço para a presença do aqueduto, sem gestos espetaculares. O projeto, não por imitação, mas por interpretação, ressoa a presença do aqueduto. Além da materialidade das paredes, um diálogo atento é estabelecido quanto às proporções e composição das duas estruturas.
Fonte: Archdaily
Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

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- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
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