Política
Gabinetes da base de Tarcísio na Alesp têm elo político com investigados pela PF
(FOLHAPRESS) – Gabinetes de deputados da base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) abrigaram parentes e aliados do prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), afastado do cargo por suspeita de envolvimento em esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na cidade.
Em dois casos, segundo a investigação da Polícia Federal, o próprio prefeito negociou diretamente as contratações.
No mesmo dia em que a PF deflagrou a operação que teve Lima como alvo, no dia 14 de agosto, Larissa Souza, filha mais velha dele, foi nomeada assessora no gabinete da deputada estadual Carla Morando (PSDB) na Alesp.
Além dela, a Assembleia já teve em seu quadro de funcionários a mulher do prefeito, Rosângela Lima, e outros dois investigados: Paulo Iran, apontado como principal operador do esquema, e Roque Araújo Neto, suspeito de ter recebido R$ 390 mil em propina.
A reportagem apurou que a mulher de Paulo Iran, Karina Luz de Queiroz, foi assessora da Prefeitura de São Bernardo até o ano passado. Segundo a PF, Iran utilizou a conta dela para efetuar diversos pagamentos no esquema, no qual servidores públicos cobravam e pagavam empresas contratadas pelo município com dinheiro vivo.
Larissa, Rosângela, Iran e Roque foram divididos em dois gabinetes da Alesp: o de Carla Morando e o do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), ambos integrantes da base de Tarcísio na Casa e assíduos nas agendas do governador, com quem possuem diversas fotos e vídeos nas redes sociais.
Procurada, a assessoria do governo Tarcísio afirmou que “não cabe ao poder Executivo interferência na nomeação de servidores escolhidos para gabinetes de deputados eleitos pela população.”
Carla Morando é mulher do ex-prefeito de São Bernardo Orlando Morando, atual secretário municipal de Segurança Urbana de São Paulo na gestão Ricardo Nunes (MDB). Lima foi o vice de Morando na prefeitura entre 2017 e 2022 e, durante as eleições de 2022, elegeu-se deputado federal em campanha conjunta com Carla, eleita deputada estadual. O casal apoiou Lima durante o segundo turno da eleição municipal de 2024.
Funcionária da Alesp desde abril de 2019, Larissa Souza trabalhava na liderança do PSDB até a PF deflagrar a operação envolvendo seu pai. Deputados e assessores disseram à reportagem que o partido chegou a debater a exoneração de Larissa para não correr o risco de se envolver no caso, mas que optou por encaminhá-la ao gabinete de Carla. Seu salário bruto mensal é de R$ 10,2 mil.
A família Morando possui bastante influência sobre as decisões tucanas na Alesp, já que Orlando foi filiado à sigla por quase 20 anos.
Em nota, a assessoria de imprensa da deputada disse que a contratação ocorreu dentro dos padrões legais e que a funcionária cumpre regularmente a carga horária, sem ter qualquer conduta questionada. “Além disso, até o momento, não existe nenhuma relação entre a funcionária e a investigação do esquema de corrupção, em São Bernardo”, diz o texto.
Carla também teve em seu quadro de funcionários Roque Araújo Neto, investigado por supostamente receber propina de Paulo Iran no esquema. Neto foi exonerado no dia seguinte à operação da PF. A deputada alega que a exoneração foi feita assim que soube da investigação.
A defesa de Roque aponta erro de identificação e diz que o servidor da Alesp exonerado não é a pessoa envolvida nos esquemas e que o celular apontado no inquérito não é o dele.
NEGOCIAÇÕES DO PREFEITO
Mensagens coletadas pela PF mostram Lima negociando os cargos de sua esposa e de Paulo Iran na Alesp em 2022. Lima mostrou a Iran uma conversa com uma pessoa identificada apenas como “Frajola” o orientando a procurar a sala onde fica o gabinete do deputado.
A reportagem apurou que Frajola é José Roberto Venancio de Souza, conhecido como Roberto Frajola, que era então assessor de Moraes na Alesp. Atualmente, Frajola é vereador de Ilha Comprida, no litoral sul paulista, pelo PP. Segundo auxiliares de Lima, Frajola foi uma pessoa ativa nos bastidores de sua campanha no ano passado.
Após receber a mensagem de Lima, na manhã do dia 2 de setembro de 2022, Iran respondeu: “Ok. Já vou combinar com a Zana [como é conhecida Rosângela]”. No mesmo dia, Iran e Rosângela foram nomeados no gabinete de Moraes.
Rosângela foi assistente parlamentar de Moraes até novembro de 2024. Na ocasião, ela recebia um salário mensal bruto no valor de R$ 10,2 mil. Nas redes sociais, nunca fez menção ao cargo ou mesmo incluiu registros de sua rotina na Alesp. Durante a campanha do marido à prefeitura, no ano passado, esteve presente em quase todas as agendas, inclusive em horários nos quais supostamente estaria em expediente.
Já Iran, que até junho recebia um salário bruto mensal de R$ 8,4 mil, foi exonerado em 15 de agosto, um dia após a operação da PF. Procurado, Moraes respondeu, por meio de sua assessoria, que o exonerou quando soube da investigação.
Em nota, o deputado afirmou que ambas as contratações foram feitas “dentro dos trâmites legais e administrativos” e que tanto Rosângela quanto Iran atuavam em funções externas na região do ABC paulista.
“A sra. Rosângela Lima teve seu vínculo encerrado antes do início das investigações que vieram a público. No caso do sr. Paulo Iran, o deputado determinou sua exoneração imediata assim que tomou conhecimento das suspeitas, por meio da imprensa”, diz o texto.
A defesa de Iran não respondeu, assim como os assessores de Marcelo Lima e de Rosângela Lima.
CARGO PARA MULHER DO OPERADOR
A investigação teve início em julho de 2025, quando R$ 14 milhões em espécie (entre reais e dólares) foram encontrados por acaso, disseram os agentes no inquérito, na casa de Iran.
O esquema também envolvia, ainda segundo a denúncia, o pagamento de diversas despesas pessoais do prefeito e de seus familiares. Entre os pagamentos, estavam as mensalidades da faculdade de medicina de Gabriele Fernandes, filha mais nova de Marcelo Lima e irmã de Larissa.
Apontado como principal operador dos desvios, Iran enviava a Lima registros de pagamentos. Uma planilha datada de 17 de novembro de 2022, por exemplo, mostra anotações de transferências para “OM” e “ML”, sendo ML identificado pelos investigadores como Marcelo Lima -a outra sigla não foi identificada na apuração.
Iran também efetuou pagamentos também por meio da conta de sua mulher, Karina Luz de Queiroz, segundo comprovantes resgatados pela PF.
Queiroz foi assessora de governo na Secretaria de Serviços Urbanos de São Bernardo entre julho de 2021 e dezembro de 2024, durante a segunda gestão de Orlando Morando na cidade. O salário bruto mensal dela era de R$ 8,4 mil. Ela não foi localizada pela reportagem para responder sobre o caso.
Em nota, a assessoria de Morando disse que Karina foi contratada por Marcelo Lima. Em 2021, além de vice, Lima também exerceu o cargo de secretário municipal de Serviços Urbanos até ser afastado do posto, em outubro daquele ano, sob suspeita de favorecimento em contratos sem licitação.
A equipe de Morando acrescenta que “a servidora mencionada exerceu apenas funções técnicas, sem ocupar cargo de direção”.
Política
Mario Frias direcionou verba pública a produtora de filme sobre Jair Bolsonaro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de três CNPJs na área de tecnologia e esportes, além de ter firmado um contrato no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.
As informações foram divulgadas primeiro pelo portal The Intercept Brasil e confirmadas pela reportagem.
Uma das pessoas envolvidas na produção é o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. A reportagem teve acesso ao roteiro do filme, que contém a informação de que ele é baseado “em uma história real escrita por Mario Frias intitulada ‘Capitão do Povo'”.
Frias foi responsável pela aprovação de duas verbas de emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, que produz “Dark Horse”.
Procurados, Mario Frias e o Instituto Conhecer Brasil não se manifestaram até a publicação deste texto.
Os repasses de emenda parlamentar foram de R$ 2 milhões ao todo. No ano passado, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação numa ação de letramento digital. Via Ministério dos Esportes, o ICB foi contratado por R$ 1 milhão para implantar o Projeto Lutando Pela Vida, de artes marciais.
No passado, a instituição foi autorizada a captar recursos para executar projetos ligados ao mundo evangélico, como “A Turma do Smilinguido no Teatro” e um festival itinerante da Marcha para Jesus, mas não conseguiu levantar fundos em ambos os casos.
Mas o contrato de valores mais expressivos foi com a gestão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura da capital paulista. A instituição foi contratada pela prefeitura para instalação de 5.000 pontos de wi-fi no valor de R$ 108 milhões.
Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a contratação do Instituto Conhecer Brasil foi realizada “por meio de chamamento público transparente e sem contestações”.
Segundo a prefeitura, “a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026”.
O valor total da parceria é de R$ 108 milhões, mas os repasses realizados até o momento são de, aproximadamente, R$86 milhões, que correspondem aos serviços já executados.
O filme “Azarão”, ou “Dark Horse” no título original, narra os momentos do ex-presidente após ser vítima de esfaqueamento em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2018. A primeira locação de filmagem foi no Hospital Indianópolis, na zona sul da capital paulista.
O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana. Ele tem em seu currículo filmes como “Infidel”, “O Jovem Messias” e “O Apedrejamento de Soraya M.”, segundo o Internet Movie Database. Jair Bolsonaro será vivido por Jim Caviezel, que viveu Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e também estrelou “Som da Liberdade”, sucesso entre o público conversador em 2023.
Fonte: Notícias ao Minuto
Política
PF apreende R$ 430 mil em dinheiro vivo na casa de líder do PL Sóstenes Cavalcante
A Polícia Federal (PF) apreendeu um total de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) em uma operação realizada nesta sexta-feira, 19, para apurar desvios na cota parlamentar.
A investigação suspeita que o deputado, que é líder do PL na Câmara, fez repasses para uma locadora de veículos com o objetivo de desviar recursos da Casa. Ele ainda não se manifestou sobre o caso.
No endereço onde o parlamentar vive em Brasília, em um flat, os investigadores encontraram no armário uma sacola preta cheia de notas de R$ 100, que foram contabilizadas e apreendidas sob suspeita de serem provenientes do desvio de recursos públicos.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão, mas não foi encontrado dinheiro vivo em seu endereço. Jordy afirmou em uma rede social que fez pagamentos à empresa suspeita de desvios com o objetivo de aluguel de carros desde o início do seu mandato e classificou a ação de “pesca probatória”.
Política
PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (19) mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo pessoas com conhecimento da ação, a operação da PF não ocorre nos gabinetes parlamentares de Sóstenes e Jordy. Os sete mandados, autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), são cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
O objetivo da operação é aprofundar investigações sobre desvios de recursos públicos de cotas parlamentares, de acordo com a corporação.
“De acordo com as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública”, disse a PF.
Jordy publicou um vídeo nas redes sociais e chamou a ação de “covarde”. Segundo ele, a justificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carrros.
“Sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o início do meu primeiro mandato. A mesma empresa que o deputado Sóstenes, que eu acredito que também esteja sendo alvo de busca e apreensão, aluga veículos dessa mesma empresa desde o início do primeiro mandato dele. A alegação deles é tosca, eles dizem que chama muito a atenção o número de veículos desta empresa”, disse.
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