Política
Governo Trump exalta prisão de brasileiro suspeito de estupro como vitrine de política de imigração
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O governo de Donald Trump tem exaltado a prisão de brasileiros nos Estados Unidos suspeitos de terem cometido crimes no país como vitrines de sua política de imigração, que visa fazer uma deportação em massa.
Os canais das redes sociais do ICE (o serviço de imigração dos Estados Unidos) e o escritório de comunicação da Casa Branca incluíram ao menos dois brasileiros presos nos últimos 30 dias, em momentos distintos, como exemplo da ação. A reportagem não localizou a defesa deles.
Um deles é acusado de estupro e, o outro, de agressão e participação numa gangue. Os dois foram detidos em Massachusetts, estado da costa leste que tem grande concentração de brasileiros.
Nesta quarta-feira (26), o vice-secretário de imprensa da Casa Branca, Kush Desai, disparou um email no qual ressalta a ofensiva de Trump contra cartéis.
“A administração Trump continuará focada em colocar nossos próprios cidadãos em primeiro lugar, deportando em massa estupradores, assassinos e outros criminosos migrantes ilegais das comunidades americanas”, escreveu.
A mensagem elenca uma série de prisões de imigrantes acusados de crime pelo ICE, entre elas a de Vitor Guimarães Silva, 21 anos, ocorrida em em 3 de fevereiro em Bellingham (Massachusetts). A detenção teve o apoio do escritório federal de apreensões de drogas.
“Caio Vitor Guimarães Silva não apenas demonstrou um desrespeito flagrante pelas leis de imigração dos EUA, mas também representou um perigo significativo para os residentes de Massachusetts”, disse Patricia H. Hyde, diretora interina do Escritório de Campo de Operações de Execução e Remoção do ICE em Boston.
Guimarães entrou legalmente nos Estados Unidos em setembro de 2017 e depois permaneceu, mesmo com o visto vencido. O brasileiro foi condenado a um ano de prisão pelo Tribunal Distrital de Milford por agressão e lesão corporal contra um morador do estado em setembro do ano passado. Ele cumpriu 90 dias e foi liberado. Àquela época, o ICE já havia emitido uma ordem de prisão contra ele.
“Como membro documentado de uma gangue de rua violenta e estrangeiro condenado por um crime violento, não podíamos mais tolerar a presença do sr. Guimarães em nossa comunidade”, afirmou a diretora do ICE. Ele segue sob custódia das autoridades de imigração.
Em 21 de janeiro, outro brasileiro foi preso em Falmouth. Willian Robert Vasconcelos-Dos Santos foi detido pelas autoridades locais suspeito de estuprar uma moradora. Depois, o tribunal do distrito o entregou para os agentes do ICE, que já haviam solicitado sua detenção.
Vasconcelos já tinha sido preso ao entrar ilegalmente nos Estados Unidos pela fronteira perto de San Diego, na Califórnia, na costa oeste.
A detenção aconteceu em 10 de abril do ano passado, mas ele foi liberado na sequência com uma notificação para comparecer a um juiz de imigração. Ele, porém, não compareceu e só foi detido este ano em Falmouth, do outro lado do país.
“Neste caso, apreciamos o Tribunal Distrital de Falmouth por honrar a ordem de detenção de imigração do ICE e permitir que nossos oficiais tomassem a custódia de Vasconcelos na segurança de uma cela de prisão, em vez de ter que prendê-lo em liberdade”, afirmou a diretora do ICE em Boston.
O caso foi ressaltado pelo ICE e também por veículos conservadores de imprensa nos Estados Unidos por ter demonstrado uma colaboração do estado de Massachusetts, que tem um governo democrata (de oposição ao atual presidente), com o órgão de imigração de Trump.
A governadora de Massachusetts, Maura Healey, afirmou em novembro que a polícia do estado “absolutamente” não iria cooperar com a política de deportação em massa de Trump e que usaria “todas as ferramentas disponíveis” para proteger seus moradores.
Recentemente, ela teceu críticas a imigrantes em situação irregular que cometem crimes nos EUA, e chegou a afirmar estar indignada com a situação. Ainda assim, apresentou objeções à política de Trump. “Eu ainda me oponho aos esforços para visar grandes parcelas de uma população indocumentada que não fez nada de errado além de estar aqui sem presença legal”, disse ela no mês passado.
Política
Mario Frias direcionou verba pública a produtora de filme sobre Jair Bolsonaro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de três CNPJs na área de tecnologia e esportes, além de ter firmado um contrato no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.
As informações foram divulgadas primeiro pelo portal The Intercept Brasil e confirmadas pela reportagem.
Uma das pessoas envolvidas na produção é o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. A reportagem teve acesso ao roteiro do filme, que contém a informação de que ele é baseado “em uma história real escrita por Mario Frias intitulada ‘Capitão do Povo'”.
Frias foi responsável pela aprovação de duas verbas de emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, que produz “Dark Horse”.
Procurados, Mario Frias e o Instituto Conhecer Brasil não se manifestaram até a publicação deste texto.
Os repasses de emenda parlamentar foram de R$ 2 milhões ao todo. No ano passado, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação numa ação de letramento digital. Via Ministério dos Esportes, o ICB foi contratado por R$ 1 milhão para implantar o Projeto Lutando Pela Vida, de artes marciais.
No passado, a instituição foi autorizada a captar recursos para executar projetos ligados ao mundo evangélico, como “A Turma do Smilinguido no Teatro” e um festival itinerante da Marcha para Jesus, mas não conseguiu levantar fundos em ambos os casos.
Mas o contrato de valores mais expressivos foi com a gestão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura da capital paulista. A instituição foi contratada pela prefeitura para instalação de 5.000 pontos de wi-fi no valor de R$ 108 milhões.
Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a contratação do Instituto Conhecer Brasil foi realizada “por meio de chamamento público transparente e sem contestações”.
Segundo a prefeitura, “a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026”.
O valor total da parceria é de R$ 108 milhões, mas os repasses realizados até o momento são de, aproximadamente, R$86 milhões, que correspondem aos serviços já executados.
O filme “Azarão”, ou “Dark Horse” no título original, narra os momentos do ex-presidente após ser vítima de esfaqueamento em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2018. A primeira locação de filmagem foi no Hospital Indianópolis, na zona sul da capital paulista.
O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana. Ele tem em seu currículo filmes como “Infidel”, “O Jovem Messias” e “O Apedrejamento de Soraya M.”, segundo o Internet Movie Database. Jair Bolsonaro será vivido por Jim Caviezel, que viveu Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e também estrelou “Som da Liberdade”, sucesso entre o público conversador em 2023.
Fonte: Notícias ao Minuto
Política
PF apreende R$ 430 mil em dinheiro vivo na casa de líder do PL Sóstenes Cavalcante
A Polícia Federal (PF) apreendeu um total de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) em uma operação realizada nesta sexta-feira, 19, para apurar desvios na cota parlamentar.
A investigação suspeita que o deputado, que é líder do PL na Câmara, fez repasses para uma locadora de veículos com o objetivo de desviar recursos da Casa. Ele ainda não se manifestou sobre o caso.
No endereço onde o parlamentar vive em Brasília, em um flat, os investigadores encontraram no armário uma sacola preta cheia de notas de R$ 100, que foram contabilizadas e apreendidas sob suspeita de serem provenientes do desvio de recursos públicos.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão, mas não foi encontrado dinheiro vivo em seu endereço. Jordy afirmou em uma rede social que fez pagamentos à empresa suspeita de desvios com o objetivo de aluguel de carros desde o início do seu mandato e classificou a ação de “pesca probatória”.
Política
PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (19) mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo pessoas com conhecimento da ação, a operação da PF não ocorre nos gabinetes parlamentares de Sóstenes e Jordy. Os sete mandados, autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), são cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
O objetivo da operação é aprofundar investigações sobre desvios de recursos públicos de cotas parlamentares, de acordo com a corporação.
“De acordo com as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública”, disse a PF.
Jordy publicou um vídeo nas redes sociais e chamou a ação de “covarde”. Segundo ele, a justificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carrros.
“Sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o início do meu primeiro mandato. A mesma empresa que o deputado Sóstenes, que eu acredito que também esteja sendo alvo de busca e apreensão, aluga veículos dessa mesma empresa desde o início do primeiro mandato dele. A alegação deles é tosca, eles dizem que chama muito a atenção o número de veículos desta empresa”, disse.
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