Arquitetura

Loja DANNONG – Pillar of Zen / LUO studio

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© Weiqi Jin

Descrição enviada pela equipe de projeto. A estrutura ortogonal de madeira tem sido, por muito tempo, o principal protótipo estrutural para quase todos os tipos de edifícios funcionais no Oriente — de salões e templos a habitações. Shanxi, como uma das regiões mais importantes na preservação da arquitetura tradicional chinesa em madeira, conserva numerosos exemplos preciosos, como o Templo de Nanchan e o Templo de Foguang. Essas estruturas remanescentes incorporam a profunda linhagem cultural da arquitetura oriental tradicional. A DANNONG, uma marca de vestuário fundamentada em uma sensibilidade interior de matriz oriental, já opera diversas lojas. No entanto, na capital de Shanxi, como as roupas devem ser apresentadas? Como a loja pode crescer em ressonância com o patrimônio arquitetônico da região? Essas questões tornaram-se o ponto de partida do projeto.

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Estruturas e Roupas: Peso e Leveza — Em planta e em corte, as estruturas tradicionais de madeira do Oriente geralmente se organizam segundo uma ordem retangular e ortogonal; graficamente, tanto os elementos verticais quanto os horizontais se expressam como “linhas”. As roupas também são suspensas por meio de um sistema de “linhas” e, nesse sentido, ambos apresentam um elevado grau de alinhamento conceitual. O projeto está inserido em um complexo comercial contemporâneo, cuja estrutura é composta por concreto armado. Dentro desse sistema industrializado, uma estrutura tradicional de madeira é enxertada para evocar a linhagem da arquitetura em madeira de Shanxi em um ambiente de varejo contemporâneo. Com base na malha estrutural existente da loja, adota-se uma composição de “três vãos e quatro seções”. O vão central gera naturalmente uma sequência axial que organiza a entrada, a área de assentos, o caixa e o fundo visual principal, enquanto os dois vãos laterais acomodam longas bancadas suspensas para a exposição das roupas. As peças suspensas reforçam ainda mais as qualidades lineares das vigas e pilares.

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Diagrama
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As estruturas de madeira tradicionais de Shanxi — exemplificadas pelos Templos de Nanchan e Foguang — são conhecidas por sua massa robusta e pelas proporções pesadas da madeira. Seguindo esse princípio, o projeto seleciona peças de madeira quadradas e espessas para ecoar o vocabulário arquitetônico regional. Sob as vigas maciças, revela-se a suavidade do tecido. O contraste entre o pesado e o leve — entre a madeira espessa e o tecido delicado — intensifica a presença material de cada um. Como se “vigas sólidas suspendessem objetos finos”, a composição se alinha de modo sutil ao espírito da DANNONG de “criar com meticulosa atenção ao menor detalhe”.

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Diagrama
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Ofício do encaixe Macho-Fêmea — O encaixe macho-fêmea — uma manifestação icônica da inteligência e do artesanato orientais — possuía não apenas importância cultural no período pré-industrial, mas também uma função estrutural essencial. Suas conexões “flexíveis” demonstram notável resiliência em terremotos; na marcenaria em pequena escala, múltiplos encaixes acomodam de forma eficaz a expansão e a contração provocadas pela umidade.

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No Templo de Nanchan, a coluna do canto nordeste de uma parede exterior, danificada por insetos, foi reparada após a dinastia Tang (durante a dinastia Song) por meio de um encaixe do tipo “louva-a-deus”. Simulações demonstram que sua forma singular permite a inserção lateral, tornando-o ideal para reparos em cantos — um exemplo da lógica engenhosa dos sistemas de encaixe macho-fêmea.

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Neste espaço, o projeto busca incorporar o “ofício do encaixe macho-fêmea” por meio das seguintes estratégias: 1. Bases de colunas e inserções de marcenaria — após extensa pesquisa e estudos de diversos sistemas de marcenaria, foram selecionados quatro tipos: o encaixe lateral deslizante do tipo “louva-a-deus”, presente no Templo de Nanchan; um encaixe cruzado, baixo e verticalmente entrelaçado; um encaixe central mais elevado; e uma peça mais complexa que exige uma inserção espacial a 45°. Esses quatro sistemas diferem em forma, lógica e sequência de instalação, contribuindo para uma rica camada de artesanato.

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2. Marcenaria entre Pilares e Vigas — Embora as estruturas tradicionais de “viga de amarração” normalmente evitem o uso de juntas de encaixe macho-fêmea entre pilar e viga, este projeto adota juntas semi-entrelaçadas para preservar a coerência estrutural. Devido a restrições de transporte e instalação, as vigas em comprimento total precisam ser segmentadas, e as uniões entre os segmentos também são tratadas com encaixes de madeira, tornando a estrutura legível ao mesmo tempo em que mantém sua integridade artesanal.

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3. Integração da Marcenaria em Elementos Secundários — A arquitetura tradicional oriental em madeira valoriza a unidade entre mobiliário e lógica estrutural. Nesta loja, os assentos são unidos às reentrâncias dos pilares de concreto por meio de métodos de encaixe macho-fêmea, tornando-se parte do sistema estrutural. As barras suspensas são integradas por meio da abertura prévia de encaixes nos pilares e da inserção de barras metálicas, criando uma linguagem construtiva consistente das escalas macro às micro.

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Ritual e Vida Cotidiana — Um espaço de varejo é, em última instância, um espaço humano. “Cidade” implica fechamento e reunião; “mercado” implica troca — consumo. Na era contemporânea de abundância material, o “vestir-se” já não é meramente funcional, mas um caminho que conduz do material ao espiritual. Assim, este espaço da DANNONG nunca foi concebido simplesmente como “uma loja de roupas”. Despojado de todas as vestimentas, o espaço deve antes existir como uma obra de arte contemporânea, dotada de materialidade tangível, ordem e espírito — construída por meio de materiais autênticos, encaixes precisos e um ritmo contido. Todos os materiais são tratados com respeito, ecoando a atitude epistemológica da construção tradicional em madeira.

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As pessoas caminham através das estruturas, tocam os materiais, observam a luz e a sombra e estabelecem relações mais profundas com os objetos, o espaço e consigo mesmas. Nessa ordem minimalista, porém concentrada, o ato de vestir-se torna-se um ritual de vida. A ética da marca — “sinceridade, pureza e ordem” — é fundamentada pelo espaço que abriga as roupas, e pelas roupas em resposta à vida. “Roupas, escolher roupas, vestir roupas” transforma-se, assim, em um ritual.

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Fonte: Archdaily

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