Política
Moraes autoriza acareação entre Braga Netto e Cid em ação sobre trama golpista
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta terça-feira (17) o pedido de acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-ministro Walter Braga Netto.
Os dois devem ficar frente a frente na próxima terça-feira (24) na sede do Supremo, em Brasília. Com isso, o general da reserva poderá sair do Comando Militar do Leste pela primeira vez desde que foi preso, há seis meses.
Moraes ainda deu aval para a acareação entre o ex-ministro Anderson Torres e o ex-chefe do Exército Marco Antônio Freire Gomes, que deve ocorrer no mesmo dia, e negou pedido de anulação da delação de Cid sob o argumento de que o pedido não deve ser feito na atual fase do processo.
A decisão foi tomada nesta terça, primeiro dia após o término do prazo para as defesas dos réus do processo sobre a trama golpista apresentarem seus pedidos de novas diligências.
Essa é a penúltima etapa antes do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados do núcleo central da tentativa de golpe de Estado.
A principal controvérsia que deve ser colocada nas acareações é a suposta entrega de dinheiro do ex-ministro Braga Netto para um militar que, segundo a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), planejava a prisão e o assassinato de Moraes.
Cid só contou essa história em seu depoimento ao Supremo em novembro de 2024. Ele foi convocado a dar novos esclarecimentos após a Polícia Federal apontar omissões e mudanças de versões do militar em seus 12 interrogatórios prestados durante a investigação.
O tenente-coronel disse que Braga Netto teria conseguido o dinheiro com o “pessoal do agro” e que o general entregou o dinheiro a ele em uma sacola de vinho.
Em depoimento na última semana, Cid foi questionado sobre o caso pela defesa de Braga Netto. O militar disse que não se lembrava de detalhes importantes do caso, como dia, horário e local em que o dinheiro teria sido entregue.
“Eu deixei [a caixa com o dinheiro] no batente da minha mesa, para ninguém ver. Me foi entregue; o local efetivo, não me lembro. Se foi na garagem ou outro lugar. Mas lembro que me marcou porque eu deixei do lado do meu pé, para ninguém mexer”, afirmou.
Braga Netto negou ao Supremo que tenha buscado dinheiro a pedido de Cid. Ele disse que a declaração do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi um “equívoco”.
Segundo sua versão, Braga Netto disse que Cid o procurou pedindo dinheiro. Ele disse acreditar que se tratava de contas de campanha atrasadas e orientou procurar a tesouraria do Partido Liberal.
“Eu digo para ele, procura o coronel Azevedo [tesoureiro do partido]. Ele procurou o Azevedo. Eu deixei com o Azevedo, porque eu não sabia o que era. O Azevedo veio mais tarde para mim e falou assim: ‘General, o dinheiro que o Cid quer, está precisando, nós não temos amparo para dar’. Então eu falei: ‘Então morre o assunto’. E morreu o assunto. Eu não tinha, como eu disse, contato com empresários, então eu não pedi dinheiro para ninguém e não entreguei dinheiro nenhum para o Cid”, afirmou.
No caso de Torres e Freire Gomes, a contestação é sobre a suposta participação do ex-ministro da Justiça em reuniões golpistas no Palácio da Alvorada no fim de 2022.
A acareação é utilizada em processos judiciais para confrontar pessoas que prestaram declarações divergentes sobre os mesmos fatos. Neste caso, os dois réus devem ficar na mesma sala para discutirem as diferenças das versões.
Na decisão desta terça, Moraes destacou que os réus no processo penal não têm obrigação de falar a verdade. Eles podem, inclusive, ficar em silêncio -exceto Cid, por ter firmado acordo de colaboração premiada, e as testemunhas arroladas.
“Dessa maneira, também nas acareações, o réu -diferentemente das testemunhas- não tem o compromisso de dizer a verdade, podendo inclusive falseá-la em prol de sua autodefesa”, disse Moraes.
O ministro destacou que autoriza as acareações em “prol da ampla defesa” mesmo que haja uma diferença de obrigações entre o colaborador Mauro Cid e a testemunha Freire Gomes em relação com os réus Braga Netto e Anderson Torres.
Além da acareação, Moraes autorizou que a defesa de Anderson Torres faça exames periciais sobre uma minuta do golpe disponível em pesquisa do Google desde 2022 e sobre relatórios da Polícia Federal acerca das urnas eletrônicas.
Foi permitida ainda a inclusão nos autos de documentos apresentados pelo ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira.
As defesas de Braga Netto e de Bolsonaro pediram a Moraes a anulação do acordo de colaboração premiada de Cid, sob o argumento de que o militar mentiu ao Supremo e contou detalhes de seus depoimentos a amigos.
Moraes, porém, entendeu que o pedido não deveria ser feito na fase atual de diligências complementares. A validade da delação de Cid deve ser discutida no julgamento final do processo.
Também nesta terça o advogado Luiz Eduardo Kuntz, defensor de um dos réus da trama golpista, enviou ao STF fotos e áudios de conversas que ele diz ter mantido com Cid e pediu que a delação seja anulada.
As mensagens teriam sido trocadas por um perfil no Instagram utilizado por Mauro Cid. A conta tinha o nome de sua esposa, não tinha fotos publicadas e era seguida por poucas pessoas.
Marcelo Câmara, defendido por Kuntz, é réu no Supremo no caso da trama golpista, acusado de monitorar a localização do ministro Alexandre de Moraes, o principal alvo de grupos bolsonaristas e militares para viabilizar o golpe de Estado, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Em depoimento ao STF, Cid negou que tivesse usado a conta da esposa para falar com alvos da delação.
Política
Mario Frias direcionou verba pública a produtora de filme sobre Jair Bolsonaro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de três CNPJs na área de tecnologia e esportes, além de ter firmado um contrato no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.
As informações foram divulgadas primeiro pelo portal The Intercept Brasil e confirmadas pela reportagem.
Uma das pessoas envolvidas na produção é o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. A reportagem teve acesso ao roteiro do filme, que contém a informação de que ele é baseado “em uma história real escrita por Mario Frias intitulada ‘Capitão do Povo'”.
Frias foi responsável pela aprovação de duas verbas de emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, que produz “Dark Horse”.
Procurados, Mario Frias e o Instituto Conhecer Brasil não se manifestaram até a publicação deste texto.
Os repasses de emenda parlamentar foram de R$ 2 milhões ao todo. No ano passado, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação numa ação de letramento digital. Via Ministério dos Esportes, o ICB foi contratado por R$ 1 milhão para implantar o Projeto Lutando Pela Vida, de artes marciais.
No passado, a instituição foi autorizada a captar recursos para executar projetos ligados ao mundo evangélico, como “A Turma do Smilinguido no Teatro” e um festival itinerante da Marcha para Jesus, mas não conseguiu levantar fundos em ambos os casos.
Mas o contrato de valores mais expressivos foi com a gestão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura da capital paulista. A instituição foi contratada pela prefeitura para instalação de 5.000 pontos de wi-fi no valor de R$ 108 milhões.
Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a contratação do Instituto Conhecer Brasil foi realizada “por meio de chamamento público transparente e sem contestações”.
Segundo a prefeitura, “a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026”.
O valor total da parceria é de R$ 108 milhões, mas os repasses realizados até o momento são de, aproximadamente, R$86 milhões, que correspondem aos serviços já executados.
O filme “Azarão”, ou “Dark Horse” no título original, narra os momentos do ex-presidente após ser vítima de esfaqueamento em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2018. A primeira locação de filmagem foi no Hospital Indianópolis, na zona sul da capital paulista.
O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana. Ele tem em seu currículo filmes como “Infidel”, “O Jovem Messias” e “O Apedrejamento de Soraya M.”, segundo o Internet Movie Database. Jair Bolsonaro será vivido por Jim Caviezel, que viveu Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e também estrelou “Som da Liberdade”, sucesso entre o público conversador em 2023.
Fonte: Notícias ao Minuto
Política
PF apreende R$ 430 mil em dinheiro vivo na casa de líder do PL Sóstenes Cavalcante
A Polícia Federal (PF) apreendeu um total de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) em uma operação realizada nesta sexta-feira, 19, para apurar desvios na cota parlamentar.
A investigação suspeita que o deputado, que é líder do PL na Câmara, fez repasses para uma locadora de veículos com o objetivo de desviar recursos da Casa. Ele ainda não se manifestou sobre o caso.
No endereço onde o parlamentar vive em Brasília, em um flat, os investigadores encontraram no armário uma sacola preta cheia de notas de R$ 100, que foram contabilizadas e apreendidas sob suspeita de serem provenientes do desvio de recursos públicos.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão, mas não foi encontrado dinheiro vivo em seu endereço. Jordy afirmou em uma rede social que fez pagamentos à empresa suspeita de desvios com o objetivo de aluguel de carros desde o início do seu mandato e classificou a ação de “pesca probatória”.
Política
PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (19) mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo pessoas com conhecimento da ação, a operação da PF não ocorre nos gabinetes parlamentares de Sóstenes e Jordy. Os sete mandados, autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), são cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
O objetivo da operação é aprofundar investigações sobre desvios de recursos públicos de cotas parlamentares, de acordo com a corporação.
“De acordo com as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública”, disse a PF.
Jordy publicou um vídeo nas redes sociais e chamou a ação de “covarde”. Segundo ele, a justificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carrros.
“Sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o início do meu primeiro mandato. A mesma empresa que o deputado Sóstenes, que eu acredito que também esteja sendo alvo de busca e apreensão, aluga veículos dessa mesma empresa desde o início do primeiro mandato dele. A alegação deles é tosca, eles dizem que chama muito a atenção o número de veículos desta empresa”, disse.
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