Arquitetura
Museu de Arte do Instituto de Escultura da China / CVA Design

- Área:
10370 m²
Ano:
2025
I. Visão Geral do Projeto: Geografia e Cultura – Situado no Parque Shenshan, na região central de Wuhu, província de Anhui, o Museu de Arte do Instituto Chinês de Escultura é um projeto de renovação urbana resultante da transformação de uma estufa desativada. Inserido no Parque de Esculturas de Wuhu, o conjunto se destaca como o primeiro espaço artístico temático da China a integrar de forma orgânica a cultura da escultura à paisagem natural. Com uma área de 8,2 hectares, o parque incorpora a arte escultórica — conhecida como “arte tridimensional” — ao cenário poético de montanhas e águas, configurando uma paisagem cultural urbana singular. Com vistas expressivas ao longo de todas as estações do ano, o parque estabelece, junto às esculturas, uma interface pública aberta e vibrante, consolidando-se hoje como um dos parques de escultura urbana mais populares do país.
II. Tradução do Patrimônio Cultural Local – “Jiuzi” é o nome antigo de Wuhu e significa “o pássaro Jiuzi pousando à beira d’água, pleno de vitalidade”. Inspirado na imagem do “pássaro Jiuzi pousando junto ao waterfront”, o museu dialoga diretamente com a herança natural e histórica da região. Em consonância com a teoria chinesa dos cinco elementos (Wuxing), a área expositiva é organizada em cinco seções temáticas correspondentes à Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água. Mais do que um sistema de classificação material, a teoria dos cinco elementos representa um modelo cognitivo baseado em movimento, transformação e interconexão. O museu adota os cinco estados associados aos elementos — Metal (convergência), Madeira (crescimento), Água (permeação), Fogo (dissolução) e Terra (integração) — para estruturar uma narrativa espacial em que esculturas e arquitetura interagem e ressoam entre si.
III. Estratégia Projetual e Integração Urbana – Ao romper com o modelo expositivo fechado, o museu se transforma em um polo cultural urbano aberto. O projeto preserva a forma arquitetônica original e incorpora de maneira sensível o conceito de “paisagem emprestada”, característico dos jardins clássicos chineses, buscando diluir os limites entre arquitetura e natureza. Dessa forma, os espaços expositivos internos e externos — incluindo galerias internas, áreas verdes ao ar livre e zonas expositivas junto à água — se interpenetram, formando um campo expositivo contínuo e integrado.
O espaço é ativado tridimensionalmente, tanto na vertical quanto na horizontal: a luz natural filtrada pelas janelas laterais cria uma iluminação suave; passarelas elevadas e sinuosas oferecem perspectivas aéreas singulares sobre esculturas de grande escala; e as salas expositivas junto à água, articuladas por percursos circulares, ampliam a experiência de visitação. Em conjunto, esses elementos constroem uma poética visual na qual as obras parecem flutuar entre luz, sombra e reflexos da água.
IV. Construção Sustentável e Potencialização Cultural – O museu incorpora de forma abrangente princípios de sustentabilidade ao longo de todo o processo construtivo. A estrutura principal é composta por um sistema metálico, enquanto a fachada combina painéis suspensos de concreto de grandes dimensões com fachadas envidraçadas em vidro Low-E triplo, associadas a um sistema de isolamento térmico de alta eficiência, garantindo baixo consumo energético. O projeto também explora intensamente os elementos naturais: a variação da luz zenital e o movimento das sombras das nuvens ao longo do tempo conferem vitalidade dinâmica às esculturas estáticas; já o piso espelhado, por meio do jogo entre reflexos reais e virtuais, amplia a percepção espacial e enriquece a experiência sensorial do visitante. Assim, o edifício se afirma como uma grande escultura em si, em diálogo harmonioso com as montanhas, os corpos d’água, a vegetação e a luz. Como uma “máquina de esculpir o tempo”, ele explora continuamente as possibilidades infinitas entre natureza, arquitetura e arte.