Arquitetura
Museu Douban / CSWADI | ArchDaily Brasil

- Área:
6765 m²
Ano:
2025
Descrição enviada pela equipe de projeto. O Museu Douban está localizado em Ande, China, dentro da área de irrigação primária de Dujiangyan, onde a cultura agrícola tradicional encontra a produção moderna de molhos, em diálogo com a textura orgânica do Linpan do oeste de Sichuan. Cercado por florestas, bambuzais e casas rurais dispersas, o local apresenta uma base ecológica robusta. A preservação dessa ecologia tornou-se o princípio orientador do projeto.
Inicialmente, árvores com DAP superior a 20 cm e touceiras de bambu foram mapeadas para preservação. O projeto entrelaça a massa edificada ao redor desses elementos, criando uma cena simbiótica de “casa entre bambus”. Para reduzir o impacto visual, os principais espaços funcionais são implantados no subsolo. Apenas cerca de um terço do volume — que abriga o hall e as salas de exposição — permanece acima do nível do solo, fragmentando o conjunto. A altura do edifício é mantida abaixo de 15 metros, permitindo que as metasequoias do entorno se projetem acima da cobertura.
O museu reinterpreta os telhados leves e elegantes das habitações da Planície de Chengdu, conhecidos pelos “grandes balanços e beirais esguios”. Em resposta ao terreno inclinado no sentido norte–sul, o telhado principal adota uma forma curva elíptica, semelhante a um grão de feijão. Um telhado menor, ao norte, emerge do solo, enquanto outro, ao sul, se insere em um pátio rebaixado. Esses três planos se sobrepõem, expressando a leveza característica da arquitetura do oeste de Sichuan. As telhas cinzas tradicionais são substituídas por elementos inovadores inspirados na transformação cromática das pimentas — do verde ao vermelho e, por fim, ao preto — durante o processo de secagem. Após seis meses de prototipagem, quatro cores principais foram selecionadas e distribuídas aleatoriamente sobre a cobertura: vermelho (30%), vermelho profundo (36%), verde escuro (14%) e cinza escuro (20%), permitindo que o telhado vermelho se integre de forma natural à paisagem do entorno.
Estruturalmente, vigas de madeira laminada colada substituem a tradicional estrutura de madeira Chuandou. Faixas de bambu e madeira são utilizadas no revestimento do telhado e dos beirais, evocando a tradição local ao mesmo tempo em que atendem a padrões construtivos contemporâneos. Vigas anelares de aço com dupla curvatura, apoiadas em pilares metálicos, sustentam a cobertura de madeira, permitindo grandes vãos e otimizando o desempenho mecânico do material.
Os pátios e poços de luz das habitações Linpan, no oeste de Sichuan, vão muito além do ritual simbólico do Si Shui Gui Tang (“quatro águas retornando ao salão”). Os beirais, corredores e salas principais que os circundam constituem espaços essenciais da vida cotidiana. A área central do projeto dá continuidade a essa tipologia do pátio Linpan: envolta pela arquitetura, mas aberta ao céu, ela rompe limites horizontais, introduz verticalidade e assume o papel de núcleo de circulação. É nesse espaço que os visitantes chegam, acessam o hall e, após percorrerem as exposições, retornam antes de seguir em direção aos campos. O ato de se reunir em torno do elemento central de água para conversar recria a cena vibrante do Bai Longmenzhen — a conversa social espontânea característica dos pátios de Sichuan.
Fonte: Archdaily