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Notting Hill Flat / WER Studio

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© Fran Parente

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada no tradicional bairro de Notting Hill, em Londres, esta townhouse faz parte de um conjunto de residências construídas por volta de 1840 como moradias unifamiliares. Tombada como patrimônio de Grau II, a propriedade foi completamente renovada e ampliada na área traseira. O principal desafio foi preservar suas características originais ao mesmo tempo em que se adaptava às necessidades de uma nova família.

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Entre os objetivos dos moradores estava a entrada abundante de luz natural e a reorganização dos ambientes, eliminando elementos de divisória para criar espaços integrados que atendessem ao programa social. Os dormitórios foram realocados para o piso inferior, abrindo espaço para uma planta aberta no andar superior, por onde acontece o acesso principal do imóvel. Elementos arquitetônicos de valor histórico foram cuidadosamente preservados, enquanto novas intervenções, como as vigas de madeira aparentes, dialogam harmoniosamente com o conjunto original.

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No piso principal, sala de estar, sala de jantar e cozinha foram integradas em um eixo contínuo, reforçando a permeabilidade física e visual entre os espaços. O layout aberto favorece a entrada de luz natural, enquanto a disposição do mobiliário define os usos de cada área.

Plantas

A paleta de materiais confere unidade ao projeto. O novo piso de madeira percorre todos os ambientes, e os tons e acabamentos da marcenaria harmonizam-se com as vigas na sala de jantar. Boiseries brancas em meia-altura revestem as paredes da sala de estar. Na parede principal, um armário embutido entre os painéis integra-se discretamente, funcionando como aparador para objetos decorativos e ocultando a TV por meio de um suporte elevatório.

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A curadoria de mobiliários, luminárias e obras de arte da sala valoriza peças pontuais, criteriosamente escolhidas, que narram a história dos moradores — entre itens garimpados e outros do acervo pessoal. Destaque para uma poltrona escandinava vintage dos anos 1960, a poltrona Alky de Giancarlo Piretti, e a luminária de piso Armitage, de Joe Armitage, inspirada no modelo original desenhado em 1952 pelo arquiteto Edward Armitage.

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Na cozinha, foram criadas novas aberturas para maximizar a entrada de luz natural, incluindo janelas voltadas para o pátio traseiro e uma nova claraboia. A bancada principal se estende por todo o ambiente, servindo também como apoio para rápidas refeições do dia a dia. A composição inclui um par de banquetas vintage assinadas por Charlotte Perriand para a estação de esqui Les Arcs, com estrutura tubular cromada e assento em couro, além da arandela Tassel da Apparatus Studio.

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A marcenaria foi desenvolvida com soluções inteligentes para ampliar a capacidade de armazenamento e integrar os espaços. Os armários da cozinha contam com portas retráteis: quando fechadas, criam painéis contínuos; abertos, revelam os equipamentos e utilidades da vida doméstica.

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Esses elementos respeitam as características estruturais do edifício, aproveitando ao máximo áreas antes subutilizadas — como cantos, vãos e patamares de escadas —, adaptando o design às limitações impostas pela construção original. Cada centímetro disponível foi utilizado, desde gavetas sob o sofá da sala de jantar até os armários embutidos nas paredes ao longo da escada.

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Para atender à legislação local em termos de isolamento de circulação vertical, a porta corta-fogo que separa o hall de entrada do restante da casa foi projetada para manter a continuidade estética dos painéis da sala de estar, podendo ser completamente embutida nas paredes quando aberta.

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Nesta residência, arquitetura e engenharia trabalharam em conjunto. Foi realizada uma escavação complexa para rebaixar o subsolo e aumentar a altura do pé-direito, enfrentando os desafios impostos pelo lençol freático e pelo sistema de esgoto da cidade. Com esse ajuste, os quartos localizados no pavimento inferior passaram a contar com altura confortável e acesso direto ao pátio dos fundos, garantindo também iluminação natural generosa.

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No interior da suíte principal, os armários possuem painéis modulares revestidos em tecido com moldura de madeira, estendendo-se desde a cabeceira da cama até as portas do closet. Paredes e pisos dos banheiros foram totalmente revestidos com grandes placas de mármore. O transporte e a instalação das pedras em uma residência nesta área de Londres exigiram uma operação logística minuciosa. O resultado exalta a beleza dos materiais naturais.

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As fachadas mantêm suas características originais. No pátio dos fundos, o paisagismo preserva canteiros que trazem visualmente o verde para dentro. Uma nova escada metálica conecta ao pavimento principal; seu desenho e materialidade asseguram uma intervenção discreta, que apesar do design contemporâneo, parece fazer parte do projeto original. O projeto, assim, respeita o caráter histórico da arquitetura, ao mesmo tempo em que oferece soluções contemporâneas, tecnológicas e funcionais para uma moradia confortável.

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Fonte: Archdaily

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