Arquitetura

Pavilhões e Instalações do Sul Global: 10 Projetos que Marcaram 2025

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Em um cenário global marcado por transformações aceleradas, 2025 consolidou-se como um ano decisivo para a arquitetura — não apenas pelos grandes eventos que mobilizaram o circuito internacional mas, sobretudo pelas vozes que neles se destacaram. Da Bienal de Arquitetura de Veneza à Expo Osaka, os pavilhões e instalações dos países do Sul Global deixaram de operar como meros gestos expositivos para se afirmar como territórios de memória, resistência e imaginação, articulando narrativas que ampliam os horizontes do debate arquitetônico contemporâneo.

Neles, tradição e futuro caminham lado a lado: materiais ancestrais reaparecem reinventados, feridas históricas ganham forma sensível e a urgência social se traduz em propostas que desafiam modos estabelecidos de construir e de habitar o mundo.

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Nesta seleção, revisitamos dez projetos que marcaram o ano e contribuíram para redesenhar o cenário internacional da arquitetura. Não se trata apenas de pavilhões nacionais, que representam oficialmente seus países, mas também de obras concebidas por arquitetos do Sul Global — como o Pavilhão Serpentine deste ano, assinado pela arquiteta bengalesa Marina Tabassum, cuja prática incorpora de forma sensível a cultura e o imaginário de seu povo.


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Pavilhão das Filipinas na Expo Osaka 2025 / Carlo Calma Consultancy

Com mais de mil fios de rattan e 212 painéis tecidos por artesãos de diversas regiões, o pavilhão transforma técnicas tradicionais filipinas de tecelagem em arquitetura, simbolizando união e continuidade. A ambientação celebra a biodiversidade com materiais naturais e experiências imersivas, fortalecendo a consciência ambiental e cultural. Ao entrelaçar arte, ancestralidade e comunidade, o projeto propõe um modelo de desenvolvimento sustentável e colaborativo.

The Philippine Pavilion at Expo Osaka 2025. Image © Masaki Komatsu

Pavilhão do Brasil na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025 / Plano Coletivo

O pavilhão brasileiro conecta infraestruturas ancestrais amazônicas aos desafios urbanos contemporâneos, destacando a sofisticação das técnicas indígenas de ocupação e manejo ambiental. Sua expografia minimalista — composta por madeira, pedras-contrapeso e cabos de aço — cria uma estrutura suspensa que evidencia a tensão entre natureza e urbanidade. O pavilhão propõe repensar o “desenvolvimento” a partir de saberes tradicionais, oferecendo uma potente crítica socioambiental e novas formas de habitar.

(RE)INVENÇÃO: Brazilian Pavilion at the Venice Architecture Biennale / Collective Plan © Federico Cairoli

Instalação “Había una vez y dos son tres feminisitios” (Porto Rico) na Triennale di Milano / Regner Ramos

A instalação revisita o assassinato de Neulisa “Alexa” Luciano, mulher negra e transgênero. A partir de três cenários reconstituídos, o projeto revela como ambientes físicos e virtuais contribuíram para as condições do crime. Elevada e intencionalmente deslocada, a obra atua como presença e ausência simultâneas, refletindo sobre o papel da arquitetura em testemunhar violências e proteger comunidades marginalizadas. A instalação recebeu Menção Honrosa entre as Participações Internacionais.

Puerto Rico Pavilion. Image © Alessandro Salettae Piercarlo Quecchia – DSL Studio, Courtesy of Triennal

Pavilhão do Bahrain na Expo Osaka 2025 / Lina Ghotmeh Architecture

O pavilhão reinterpreta a tradição marítima do Bahrein por meio de uma estrutura de madeira inspirada nos barcos dhow, unindo técnicas do Golfo e do Japão. Construído com cerca de 3.000 peças não industrializadas e encaixes precisos, prioriza leveza, ventilação natural e sustentabilidade. Seu interior oferece uma experiência sensorial que revive a história marítima e as trocas culturais do país. O dhow torna-se metáfora de conexão, hospitalidade e um futuro pautado por design consciente.

Anatomy of a Dhow, Bahrain Pavilion Osaka Expo 2025 / Lina Ghotmeh Architecture © Iwan Baan

Primeiro Pavilhão de Togo na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025 / Studio NEiDA

Este pavilhão inaugural apresenta um panorama das arquiteturas togolesas do século XX, enfatizando conservação, transformação e diálogo entre práticas tradicionais e modernistas. Com uma perspectiva afrocentrada, o pavilhão evidencia a profundidade cultural e a atualidade desse legado, oferecendo reflexões sobre práticas de design equitativas e a relação entre história, materialidade e produção arquitetônica contemporânea.

Togo Pavilion at the Venice Biennale 2025. Image © Matteo Losurdo

Instalação AlMusalla na Bienal de Artes Islâmicas e na Bienal Inaugural de Bukhara 2025 / East Architecture Studio

Esta instalação foi resultado de um concurso internacional para o projeto de uma musalla: espaço flexível para oração destinado à pessoas de todas as crenças. Projetada pelo escritório libanês, ela é composta por uma estrutura modular construída com materiais derivados de resíduos de palmeiras locais, incluindo folhas e fibras, e inspirada nas tradições regionais de tecelagem. Instalada no aeroporto de Jeddah, a musalla serviu como espaço de oração por quatro meses durante a Bienal de Artes Islâmicas. Concebida para ser desmontada e remontada, ela foi recentemente transferida para o Uzbequistão para a edição inaugural da Bienal de Bukhara 2025.

AlMusalla Pavilion at the Biennale of Islamic Arts / East Architecture Studio Courtesy of the Diriyah Biennale Foundation. Image © Marco Cappellett

Instalação “And from My Heart I Blow Kisses to the Sea and Houses” (Líbano) na Triennale di Milano / Ala Tannir

A instalação documenta a restauração de uma casa do Mandato Francês em Ain el Mraisseh, Beirute, danificada pela explosão de 2020, unindo arte contemporânea e conservação arquitetônica para refletir sobre memória e transformação urbana. Cinco intervenções permanentes revitalizam o espaço e propõem novas formas de preservar o patrimônio material e social do país. O projeto recebeu o Prêmio de Melhor Instalação entre as Participações Internacionais.

And from My Heart I Blow Kisses to the Sea and Houses. Image © Ala Tannir, Courtesy of Yumūm

Primeiro Pavilhão do Omã na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025 / Majeda Alhinai

A exposição está centrada no Sablah , um espaço comunitário tradicional omanita, típico de aldeias e bairros, como um estudo de caso de resiliência arquitetônica e continuidade cultural. O pavilhão investiga a lógica espacial e social do Sablah, explorando seu potencial para influenciar o design de ambientes compartilhados contemporâneos.

Traces, Oman Pavilion. Image Courtesy of Sultanate of Oman

Pavilhão Serpentine 2025 / Marina Tabassum Architects

Este pavilhão celebra os 25 anos do primeiro Serpentine e é composto por quatro cápsulas de madeira com fachadas translúcidas que filtram a luz. Organizadas ao redor de um Ginkgo biloba, criam um espaço de encontro e contemplação. Uma das cápsulas é móvel, permitindo diferentes configurações e interações. Inspirada nas arquiteturas do delta Bengali, a estrutura propõe uma abordagem adaptativa que valoriza clima, natureza, comunidade e coletividade.

Serpentine Pavilion 2025 A Capsule in Time, designed by Marina Tabassum, Marina Tabassum Architects (MTA). Interior view. Image © Iwan Baan, Courtesy of Serpentine

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Fonte: Archdaily

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