Arquitetura
Reforma de apartamento: quando vale a pena colocar tudo abaixo?

Quando apostar em reforma complexa de apartamento? Arquitetas refletem sobre a necessidade de encarar uma obra grande e discutem o descarte e a sobra de materiais Basta digitar “reforma” nas redes sociais para se deparar com vídeos e fotos de paredes demolidas, forros retirados, revestimentos quebrados e estruturas inteiras colocadas abaixo. Muita gente sente vertigem só de imaginar esse cenário — geralmente, quem já passou por isso na prática. Por outro lado, há empresas e escritórios que vendem esse tipo de solução com entusiasmo, como se a promessa de personalização total e integração dos ambientes fosse o Santo Graal das reformas de apartamento.
Antes de encarar um trabalho complexo, no entanto, é necessário avaliar bem a situação do imóvel, considerando suas possibilidades. “O ideal é quando o cliente nos chama para ver o local antes de comprar. É raro acontecer, mas, quando acontece, o resultado é bem melhor”, comenta Lua Nitsche, sócia de Pedro e João Nitsche no escritório Nitsche Arquitetos.
“Conseguimos avaliar algumas coisas que o cliente não enxerga: se o imóvel tem pé-direito favorável, se tem flexibilidade para várias ocupações diferentes, se conta com uma estrutura mais periférica (perto da fachada)… Com isso, conseguimos reconfigurar os espaços. Também avaliamos o tamanho e a orientação das janelas”, explica.
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Quando o proprietário procura o escritório após a compra, os arquitetos também realizam essas avaliações, tentando incorporar as características do imóvel aos desejos e à rotina dos futuros moradores. Lua defende que uma reforma complexa só deve ser encarada quando há algum problema de infraestrutura — considerando, por exemplo, as instalações hidráulicas ou elétricas. “Banheiros e cozinhas muito antigos normalmente pedem uma atualização. Agora, em um apartamento novo, trocar os acabamentos apenas pelo seu gosto, eu acho um pouco de desperdício. É um investimento desnecessário.”
Neste apartamento em Kiev, na Ucrânia, as vigas e as estruturas originais do forro deste prédio antigo foram preservadas durante a reforma conduzida pela designer de interiores Yana Molodykh
Yevhenii Avramenko
Pensando nessa onda de reformas em apartamentos recém-entregues — com equipes de obra colocando abaixo pisos e revestimentos novinhos para adequá-los ao gosto do cliente — muitas construtoras vêm reduzindo a entrega de acabamentos. A ideia é justamente evitar o desperdício de mão de obra e material.
A arquiteta Cristiane Schiavoni, que costuma encarar reformas completas em imóveis novos, tenta driblar essa questão propondo intervenções diretamente com as construtoras, antes da entrega das chaves. “Quando o cliente nos contrata antes de o apartamento ficar pronto, já fazemos um projeto e tentamos negociar essas alterações durante a obra”, diz.
Vale também pensar no impacto ambiental dessas reformas desnecessárias. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, publicado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o Brasil gerou 44 milhões de toneladas de resíduos de construção civil e demolição em 2023. Algumas pesquisas acadêmicas de 2005 e 2012 apontam que entre 50% e 60% desse volume, no Brasil, têm origem em reforma – e não em construções de edificações novas.
Para Edson Grandisoli, coordenador pedagógico do Movimento Circular, doutor em Educação e Sustentabilidade e pós-doutor pelo Programa Cidades Globais, esse cenário pode ser revertido. Ele ressalta que cerca de 80% desses resíduos poderiam, de alguma forma, ser reciclados ou reaproveitados — incluindo madeira, metais, concreto, tijolos, vidros e até plásticos. “É fundamental que haja uma gestão adequada desses resíduos, tanto pelas empresas, construtoras e cidadãos, como pelo poder público”, afirma o pesquisador.
Neste apartamento de 310 m², o escritório Nitsche Arquitetos apostou em um piso único na área social. Segundo a arquiteta Lua, este é um recurso para aproveitar bem os materiais e evitar desperdício
Katia Kuwabara
Neste apartamento reformado por Nitsche Arquitetos, até o banheiro mantém o mesmo piso. Uma das estratégias dos arquitetos para reaproveitar materiais é usar madeiras excedentes para criar armários
Katia Kuwabara
Para os profissionais da arquitetura, portanto, reduzir o entulho é palavra de ordem – e um desafio e tanto. “Sempre procuramos preservar características originais. Por exemplo, se a pessoa tem um piso de mármore ou madeira — que são materiais tão nobres — é importante manter e restaurar”, comenta Lua Nitsche. “Acho que sempre interessante criar um diálogo entre o novo e o antigo dentro de um projeto”, defende.
Apostar em materiais únicos, segundo a arquiteta, também é uma boa maneira de evitar desperdício. Em seu próprio apartamento, ela conta que cobriu a área de serviço e o banheiro com sobras do mesmo porcelanato aplicado nos outros ambientes. “Usei todos os retalhos. Formamos um mosaico com os pedaços de tamanhos diferentes”, conta. “Tem que visitar muita obra para entender e conseguir pensar em boas soluções de aproveitamento.”
Já a arquiteta Natália de Souza, do escritório ResiliArt Arquitetura, trabalha principalmente com projetos residenciais para investimento. Para ela, as reformas precisam ser rápidas e pontuais – uma vez que devem trabalhar dentro de um orçamento limitado do cliente. Exercitar o olhar para trabalhar com o que já existe — e está em boas condições — é fundamental. “Muita gente vem com a ideia de retirar itens novos em apartamentos recém-entregues. Mas se o apartamento é novo, não precisa. Não vale o investimento. As construtoras já entregam acabamentos bons”, reflete.
Neste apartamento de 44 m², projetado pelo escritório ResiliArt Arquitetura, a marcenaria ajuda a setorizar os ambientes integrados
Kelly Queiroz
O descarte dessas peças também é uma preocupação de Natália e sua equipe. Pensando nisso, ela mantém um depósito com itens retirados de suas obras. “Porta de sacada é algo que temos aos montes, porque todo mundo quer incorporar a varanda à sala. Guardamos tudo isso porque não podemos descartar em qualquer lugar”, explica.
Atualmente, o escritório estuda maneiras de encaminhar esses itens excedentes para projetos sociais. “Estamos reunindo essas peças para ONGs que trabalham com arquitetura social”, conta. “Sobra tinta, sobra areia, sobra cano… Não conseguimos reaproveitar isso em outras obras, então estamos começando a contatar essas organizações”, relata. “Para a gente, isso é muito importante hoje.”
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

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- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
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