Arquitetura
Restaurante Imanol / LADO Arquitectura e Design

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizado no Príncipe Real – em tempos um pacato bairro residencial, hoje um cosmopolita destino gastronómico – o Imanol reinterpreta a herança culinária do Pais Basco através de uma perspetiva marcadamente contemporânea.
Materializando esta visão, o atelier de arquitetura LADO transformou o rés do chão e a cave de um edifício do século XIX num espaço moderno e minimalista, que projeta uma identidade nova e arrojada, enquanto respeita a estrutura original do edifício.
A fachada totalmente envidraçada funciona como um limiar transparente, diluindo a fronteira entre interior e exterior. Esta permeabilidade visual atrai os transeuntes para o espaço, fomentando uma sensação de abertura e convidando à interação com a atividade culinária do restaurante.
O projecto é definido por uma paleta de materiais muito contida, em que o aço inoxidável é o principal protagonista. Este material é utilizado em paredes, tetos e mobiliário fixo, definindo um ambiente elegante e funcional. No centro do espaço, um balcão monolítico em aço inoxidável com tampo em polietileno – como uma gigante tábua de corte – estende-se ao longo da zona de refeições, acompanhado por bancos fixos do mesmo material. Reforçando a linearidade do espaço, foi desenhada uma comprida luminária em aço inoxidável, suspensa sobre o balcão.
Em contraste com as superfícies metálicas e frias, o chão é revestido com auto-nivelante na cor vermelho sangue de boi, conferindo calor e profundidade ao espaço. Esta tonalidade intensa ancora a sala, equilibrando a precisão refletora do aço com uma presença tátil e térrea. O teto, muito baixo, foi revestido em aço inox polido, criando um subtil efeito de espelho, ampliando a luz ambiente e expandindo visualmente o volume compacto. Esta superfície espelhada capta movimentos e interações, reforçando a energia dinâmica da experiência gastronómica.
A configuração do espaço privilegia a informalidade e a convivialidade – elementos centrais da cultura dos bares bascos. Vinte lugares fixos alinham-se ao longo do balcão central, enquanto dezoito lugares adicionais, em pé, estão dispostos ao longo das paredes, em pequenos tampos-prateleira, incentivando uma fluida interação de clientes. Cada lugar, sentado ou em pé, dispõe de um botão de chamada individual, com luz vermelha – um pormenor lúdico, mas funcional que personaliza o serviço e acrescenta um elemento visual interativo.
Através da sua linguagem material ousada, desenho sintético e planeamento espacial socialmente atento, o Imanol – mais do que um restaurante – assume-se como um marco cultural e arquitetónico no tecido urbano envolvente.