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Restaurante ZeroZero Belem / LADO Arquitectura e Design

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© Francisco Nogueira

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizado na frente ribeirinha de Lisboa, no histórico bairro de Belém, o novo restaurante ZeroZero ocupa um edifício modernista com 1.400 m² de área e grande valor histórico e arquitectónico. Situado entre dois monumentos nacionais – o Padrão dos Descobrimentos e o Museu de Arte Popular -, o edifício foi originalmente construído para a Exposição do Mundo Português de 1940 e permanece um exemplo emblemático do modernismo português. Rodeado por um amplo espelho de água, estabelece um diálogo poético com o rio Tejo.

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Esta terceira morada da marca em Lisboa – após os espaços originais no Príncipe Real e no Parque das Nações – tem capacidade para 600 pessoas e dá continuidade à missão da ZeroZero de, há mais de uma década, trazer os sabores autênticos de Itália à cidade. O atelier LADO, responsável pelos dois primeiros projectos, foi novamente convidado a desenvolver o projecto para esta transformação ambiciosa.

© Francisco Nogueira
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Neste novo capítulo, o edifício foi cuidadosamente restaurado e adaptado com sensibilidade a uma nova função – respeitando a sua essência arquitectónica e introduzindo, ao mesmo tempo, uma identidade contemporânea e distintiva. A intervenção preserva as fachadas e os vãos originais, assegurando a continuidade histórica. No interior, o espaço é reinterpretado através de uma abordagem funcional, materialmente contida e sensorialmente envolvente, procurando o equilíbrio entre sofisticação urbana e conforto informal.

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A luz natural é um elemento central no projecto de interiores. A claraboia original – vestígio do antigo pátio do edifício – foi ampliada para permitir uma maior entrada de luz no espaço. Os clientes são recebidos numa área de entrada com bancos integrados, um expositor de charcutaria para takeaway e um amplo bar que convida ao ritual convivial do aperitivo italiano. Do lado oposto da sala, dois fornos a lenha – elementos icónicos da identidade ZeroZero – estão estrategicamente posicionados, funcionando como âncoras visuais e funcionais do restaurante. Uma sala de jantar privada, com capacidade para até 80 pessoas, pode ser isolada de forma discreta através de uma cortina acústica, permitindo configurações flexíveis para eventos e grupos.

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A preservação patrimonial teve também um papel determinante. Em 2015, durante uma intervenção anterior, foi redescoberto, na parte posterior do edifício, um mural do artista norte-americano Sol LeWitt – dado como perdido desde os anos 1990. Esta obra de grande relevância foi cuidadosamente restaurada e hoje integra a narrativa espacial do restaurante de forma orgânica.

Planta – Pavimento térreo

A paleta de materiais é contida, mas expressiva: o pavimento em betão polido e os estuques venezianos em tons de marfim definem um fundo neutro e luminoso. Painéis acústicos em fibra de madeira revestem o tecto da sala principal, melhorando o conforto sonoro e acrescentando uma textura subtil. Elementos estruturantes – como o balcão do bar e as colunas junto à claraboia – são revestidos com azulejos vitrificados italianos produzidos a partir de cinza vulcânica. A madeira introduz uma sensação de calor e naturalidade em todo o espaço: nogueira americana maciça nas cadeiras e bancos; carvalho francês nos aparadores e banquetas corridas; almofadas em linho em tons neutros complementam os elementos. As superfícies em pedra – desde os tampos do bar aos balcões de charcutaria e área de pizzaiolo – são executadas em Brecha da Arrábida, um calcário sedimentar multicolorido proveniente da serra da Arrábida, reconhecido oficialmente como Global Heritage Stone pela União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS), entidade parceira da UNESCO.

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A casa de banho, localizada no piso superior, dispõe de dez cabines com janelas viradas a sul, oferecendo vistas priviligiadas sobre o rio Tejo. A área de lavabos apresenta uma planta oval e organiza-se em torno de duas bancadas circulares de lavatórios em pedra. As paredes são revestidas com azulejos vidrados em tons de verde, dispostos em padrões geométricos, conferindo ao espaço um carácter gráfico e sofisticado.

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A iluminação foi pensada para criar uma atmosfera intimista e estratificada. Candeeiros suspensos em cobre, desenhados por medida, pairam sobre as mesas de refeição, complementados por iluminação técnica discreta que destaca elementos arquitectónicos. Peças de design marcantes, como os candeeiros “In the Tube” da DCW, iluminam a zona de entrada, as escadas e os corredores. Sobre as mesas maiores, sob a claraboia, os candeeiros “Bohemia” da Marset introduzem uma presença escultórica e uma luz envolvente e suave.

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No exterior, uma generosa esplanada em madeira prolonga-se ao longo da fachada sul, oferecendo uma zona de refeições ao ar livre com vista desimpedida para o rio. Sombreada por uma pérgula metálica com elementos entrançados em vime, esta área exterior é enquadrada por grandes floreiras com vegetação autóctone. Durante o dia, a luz filtrada anima as superfícies; à noite, uma iluminação ambiente suave transforma o terraço numa extensão acolhedora do espaço interior.

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Fonte: Archdaily

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