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Território-Parque / MACh Arquitetos + Connatural

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© Leonardo Finotti

Projeto Território-Parque
O projeto Território-Parque parte do enorme desafio de reestabelecer e criar condições urbanas, arquitetônicas e paisagísticas para que a comunidade de Córrego do Feijão – principal impactada pelo rompimento da barragem em janeiro de 2019 – tenha condições de permanência e reconexão ao lugar de sua origem e história.

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A expressão Território-Parque anuncia o propósito de articular o espaço urbano à paisagem em que está inserido, de modo a fortalecer a relação das pessoas com a natureza. A estratégia de projeto de orienta por um vínculo socioambiental presente em cada solução adotada, com origem na valorização da água como elemento central para a vida neste território, e ênfase na universalização do saneamento básico como um passo inicial para a busca de alternativas de abastecimento de água, implementação de coleta e tratamento integral de esgoto e destinação adequada dos resíduos sólidos.

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Por um lado, as propostas apresentadas buscam atender aos valores, às expectativas e propósitos da comunidade, cuja escuta se deu a partir de uma série de encontros promovidos pelo Instituto Kairós, que conduziu a integração socioambiental das ações planejadas. Adicionalmente, e com o intuito de ampliar e reconhecer essas ideias a partir de uma visão territorial sistêmica, o projeto contou com a reflexão de uma equipe formada por profissionais de áreas como arquitetura, urbanismo, sustentabilidade ambiental, biologia, saneamento, paisagismo, design, iluminação e comunicação e diversas especialidades da engenharia.

Mapa Geral – Território Parque

O projeto Território-Parque é composto por quatro grandes áreas contíguas e integradas – área Central, Campo de Futebol, Parque Ecológico e área Simbólica -, que guardam suas particularidades e serão apresentadas de forma independente.

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Os programas de arquitetura e paisagismo do Território-Parque têm como base conceitual o uso e a exposição dos recursos hídricos através de corpos d’água, piscinas e canais de condução e irrigação.

Área Parque Piscinas – Ciclo Agua

A presença de água será constante nas diferentes áreas de intervenção. Elementos arquitetônicos e paisagísticos servirão como estruturas funcionais, aumentando o teor de umidade no ar do vilarejo e a disponibilidade de água para irrigação de jardins, usos recreativos e produtivos, contribuindo para o aumento da cobertura verde e a redução da emissão de partículas.

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A água se torna um elemento primordial na ressignificação de Córrego do Feijão, capaz de agregar soluções para a saúde e bem-estar da comunidade: irrigar culturas e jardins; melhorar a qualidade do solo e o ar; promover espaços de lazer e recreação; e, finalmente, integrar conjuntos paisagísticos e simbólicos.

Área Parque Piscinas – Corte E-2
Área Parque Piscinas – Detalhe

O projeto Território-Parque propõe a implementação de redes de coleta e tratamento de efluentes para toda a comunidade. As propostas para o saneamento apresentam soluções ambientalmente eficientes de baixo custo de implantação e de operação – exemplo das nascentes construídas e dos jardins filtrantes -, considerando atributos locais de topografia e valores paisagísticos, contribuindo para a saúde da população e para a preservação do meio ambiente.

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Praça Central
Até pouco tempo atrás, o solo exposto, sem qualquer cobertura vegetal, era o que definia a maior parte da praça central. Uma pequena área, entretanto, a que a comunidade se referia como bosque, reservava através de ocupações espontâneas a chave para o que seria a proposta arquitetônica e paisagística que hoje se vê implantada.

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A área do Bosque foi ampliada após o novo desenho da via de acesso ao Córrego do Feijão, dando espaço a jardins com espécies medicinais e ornamentais características da região e presentes nos jardins à frente das casas da comunidade. Nesta mesma área, as caixas de água potável existentes deram lugar a um único reservatório com capacidade de 60m³, capaz de atender a toda a comunidade. Em torno do elemento infraestrutural, foi proposto um acesso helicoidal até o topo, que permite uma ampla visão e compreensão do território, em todas as direções.

Praça Central – Planta

Outros espaços compõem a praça: a pérgula circular, que articula a praça e o edifício do centro de cultura; a pequena esplanada pontuada por colinas gramadas; e o mercado comunitário, ocupando a casa de adobe existente, ladeada por dois novos blocos que abrigam um espaço de alimentação e uma cozinha, ambos de gestão comunitária.

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Mercado Comunitário
O Mercado Comunitário contará com espaços de exposição de alimentos e produtos desenvolvidos e comercializados pelos moradores, na chamada Casa de Adobe, uma construção existente feita com a participação da comunidade e restaurada no projeto Território-Parque. Duas novas edificações com fechamento em cobogós cerâmicos (marca registrada de alguns mercados mineiros emblemáticos), acolhendo produções de padaria, confeitaria, pizzaria e cozinha geral comunitária. Todos os espaços geridos pelos próprios moradores.

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Em torno à espacialidade de vila configurada pelas três edificações, é criado um Jardim que valoriza características próprias da região, com projeto paisagístico que busca uma atmosfera de recanto, enobrecido pela presença marcante dos tamboris e de suas sombras generosas, atrativo natural para moradores e visitantes.

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Centro de Cultura e Artesanato
A proposta é que esse espaço seja uma extensão natural da Praça. Os espaços internos da nova edificação estão implantados em cota próxima à da rua inferior (rua 1), de modo que a cobertura possa se configurar como um grande terraço nivelado com a praça. O belo terreno, com inclinação suave entre as ruas 6 (da praça) e 1, sugeria a criação de pequenos patamares e pátios em diferentes níveis, capazes de abrigar atividades ao ar livre e à sombra das árvores, muitas delas existentes e preservadas, a exemplo do abacateiro que se tornou referência desta área.

© Leonardo Finotti
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A construção abrigará espaços de apoio a atividades culturais, oficinas e criação de produtos artesanais, como também prover espaço para a biblioteca comunitária, sala de informática e da administração da Associação Comunitária.

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Área Simbólica – Jardim Sensorial e Capela Velório

A área do antigo campo de futebol foi fortemente marcada pelas ações de resgate em razão do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em janeiro de 2019. Como parte das ações do projeto Território-Parque, é proposta uma intervenção paisagística em respeito à memória e à reflexão pelas 272 mortes.

Área Simbólica Jardim Sensorial + Capela – Memorial

O projeto consiste na criação de um espelho d’água que preserva os contornos do vazio deixado pelo antigo campo, lhe conferindo um novo significado. Será preciso atravessar esse espelho d’água para alcançar a porção central do espaço, caracterizado como um jardim sensorial, repleto de aromas, texturas e sons que promovem a percepção dos ciclos da natureza.

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A implantação da capela-velório, uma obra sensível e muito esperada pela comunidade, será realizada na extremidade oposta ao cemitério existente, que é tema de restauro e ampliação. A capela ficará pousada sobre a água, como um elemento em suspensão. A partir da capela, a ideia é que o percurso até o Cemitério seja feito através do jardim sensorial, tornando o tempo de percurso e a experiência da paisagem parte do ritual de despedida.

Campo de Futebol
O novo campo de futebol de Córrego do Feijão será situado no terreno que fica na margem oposta à do Parque Ecológico, na via de acesso à comunidade por Casa Branca. A área do campo é entendida, portanto, como uma extensão natural do parque. Dando ênfase a essa percepção, o campo e sua estrutura de apoio são pensados a partir do conceito de “um campo dentro de um parque, onde a presença e o estímulo ao crescimento de uma vegetação de maior porte serão incentivados para estabelecer uma relação muito próxima com a arquitetura.

Campo de Futebol – Vista Aérea

O Campo de Futebol terá dimensões oficiais para que se enquadre nas regras dos campeonatos regionais, contando com edificações de apoio que ofereçam todas as instalações necessárias para atender a jogadores e público. Ao mesmo tempo, tanto o campo quanto as instalações devem oferecer condições para a realização de diversas outras atividades e eventos.

Como estratégia para a implantação do campo de futebol, pretende-se utilizar o material do corte do terreno para criar pequenas colinas que sirvam para ver os jogos, como arquibancadas naturais que também oferecerão outra forma de experienciar o território, espaços do brincar.

Área Parque Palafitas – Isométrica 02

Área Simbólica – Cemitério e Casa das Borboletas
Uma construção existente próxima ao cemitério abrigou, entre outros usos anteriores, as atividades relacionadas aos resgates após o rompimento da barragem de Córrego do Feijão. O local tem, portanto, relevância na memória dos impactos do rompimento para a presente e futuras gerações da população de Córrego do Feijão.

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O que se propõe é preservar o local simbólico, substituindo integralmente a materialidade do prédio por uma estrutura branca esbelta, que preserva a forma anterior por suas arestas, e que serve de suporte a uma vegetação constituída por espécies e flores que atraem as borboletas. A presença da água neste local contribui para que se crie um espaço de pausa e reflexão.

Área Simbólica Cemitério + Casa das borboletas – Planta

O Cemitério é delimitado por um perímetro retangular de muros de pedra seca, sem argamassa, uma técnica construtiva tradicional na região, reconhecida e admirada pela comunidade. No projeto Território-parque, a expansão do Cemitério deve ocorrer em uma sucessão de Pátios interligados, separados por espelhos d’água. O primeiro desses pátios já está configurado no cemitério existente.

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Além disso, é proposta a delimitação das sepulturas com contornos metálicos delicados, com a intenção de compor pequenos jardins, a critério dos familiares. Os percursos existentes são preservados e melhor definidos com lajes de quartzito, mantendo seu desenho rizomático.

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Área Parque
Na área do Parque Ecológico, estão previstas poucas e diferentes formas de intervenção, de acordo com o nível de recuperação ambiental reconhecido em cada parte do terreno. Nas áreas com maior cobertura florestal, o projeto prevê a construção de caminhos com pedriscos e sistemas de passarelas e mirantes com pisos drenantes sobre palafitas, a fim de que o visitante possa reconhecer diferentes estratos e espécies de vegetação, além de observar a fauna local.

Planta – Circuito da Água 02

Nos trechos que correspondem a estágios iniciais de regeneração da mata, além dos caminhos e das passarelas, são previstas estruturas de apoio ao visitante e à produção agroecológica florestal, como viveiros e estufas. Em resumo, as áreas com menor cobertura vegetal deverão no futuro se tornar mais densas e cheias de árvores, com potencial econômico para a comunidade, o que inclui o Ecoturismo e as atividades esportivas possivelmente relacionadas a este ambiente.

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O Parque contará com um edifício de apoio ao visitante, assim como um pequeno anfiteatro, que poderão acolher eventos e ações relacionados à educação ambiental, à produção agroecológica, ao lazer e à cultura. Especial cuidado é dedicado ao projeto de um conjunto de piscinas públicas, que são uma resposta direta a desejos da comunidade, em especial das crianças, pelo uso recreacional da água.

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Fonte: Archdaily

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