Construção
Texas, nos EUA, terá vila formada apenas por casas construídas com impressoras 3D
A maior comunidade mundial de casas impressas em 3D está sendo construída no estado americano do Texas, e o bairro acaba de inaugurar sua primeira casa concluída.
Com paredes “impressas” usando um material à base de concreto, a estrutura térrea é a primeira de 100 casas desse tipo que receberão os moradores a partir de setembro.
A comunidade faz parte de um desenvolvimento mais amplo em Georgetown, no Texas, chamada Wolf Ranch. Está localizada a cerca de 50 quilômetros ao norte de Austin, a capital do estado, e é uma colaboração entre a construtora texana ICON, a construtora Lennar e o escritório de arquitetura dinamarquês Bjarke Ingels Group (BIG).
No sábado (22), os possíveis compradores visitaram a casa modelo na inauguração do projeto, e algumas das unidades já foram vendidas, disse a porta-voz da ICON, Cara Caulkins, à CNN.
As imagens da casa recém-concluída, compartilhadas pela empresa, mostram interiores bem iluminados e paredes cinzas curvas. As paredes são feitas de uma mistura de concreto chamada Lavacrete, que é canalizada usando impressoras robóticas de 14 metros de largura. Depois de impressas as paredes, são instaladas as portas, janelas e telhados – todos equipados com painéis solares.
A ICON diz que mais de um terço das paredes das casas já foram impressas, e as propriedades atualmente em oferta estão sendo vendidas por US$ 475 mil a US$ 599 mil.

As casas impressas em 3D variam em tamanho de 139 a 195 metros quadrados e têm de três a quatro quartos.
Mais rápido, mais limpo e mais acessível
Quando a ICON anunciou o projeto em 2021, seu cofundador e CEO, Jason Ballard, descreveu a comunidade como um “momento divisor de águas na história do desenvolvimento em escala comunitária”. A impressão 3D, disse ele, oferece casas de alta qualidade com mais rapidez e economia do que os métodos convencionais de construção.
Com os Estados Unidos enfrentando um déficit de aproximadamente cinco milhões de novas residências, Ballard disse que há uma “profunda necessidade de aumentar rapidamente a oferta sem comprometer a qualidade, a beleza ou a sustentabilidade, e essa é exatamente a força de nossa tecnologia”.

Enquanto isso, Martin Voelkle, sócio do Bjarke Ingels Group, disse em nota que os edifícios impressos em 3D foram “passos significativos para reduzir o desperdício no processo de construção, bem como para tornar nossas casas mais resilientes, sustentáveis e autossuficientes em energia”.
Pesquisas independentes sugerem que as casas de impressão podem reduzir as emissões de dióxido de carbono e resíduos de construção. As impressoras 3D podem construir edifícios sem cofragem (os moldes de concreto nos quais o cimento normalmente é derramado), o que pode reduzir significativamente o uso geral do material. O cimento é responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO2 anualmente.
Um estudo de 2020 de Singapura descobriu que uma unidade de banheiro construída com impressão 3D era 25,4% mais barata e produzia quase 86% menos dióxido de carbono do que uma feita com métodos de construção convencionais.

No entanto, os críticos apontaram que as casas impressas em 3D ainda dependem de concreto intensivo em carbono e que os códigos de construção que abordam a segurança e a estabilidade das estruturas ainda não foram amplamente adotados.
Wolf Ranch é o maior projeto da ICON até o momento, embora a empresa já tenha usado a impressão 3D para construir habitações sociais ou subsidiadas no México e no Texas. Ballard disse à CNN em 2019 que a tecnologia de sua empresa também poderia ser usada para combater a falta de moradia ou fornecer abrigo após desastres naturais.
“A impressão 3D não é ficção científica”, disse ele. “Nós cruzamos o limiar da ficção científica para a realidade. No futuro, nossa aposta é que esta será a melhor esperança da humanidade para uma solução habitacional que corresponda aos nossos valores e ideais mais elevados”.
Construção
Confiança da Construção cai 5,3 pontos em novembro, diz FGV
O Índice de Confiança da Construção (ICST) caiu 5,3 pontos em novembro, a 95,6 pontos, informou nesta sexta-feira (25) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em médias móveis trimestrais, o índice recuou 0,9 ponto.
O resultado de novembro foi a maior queda desde abril de 2020 e também representa o menor nível desde março deste ano, quando o índice chegou a 92,9 pontos.
“Depois de sete meses, sinalizando um otimismo moderado, a percepção em relação aos negócios e a demanda para os próximos três meses sofreu um revés expressivo, que atingiu os três segmentos setoriais”, afirma a coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV, Ana Maria Castelo, em nota.
Castelo repara também que “mostra-se evidente que o choque de expectativas pode ser associado aos resultados das eleições.
As incertezas em relação à política econômica do próximo governo provocaram um receio de piora no ambiente futuro dos negócios. Por outro lado, o indicador relativo à atividade corrente continua sinalizando melhora. Ou seja, o setor está crescendo, mas o futuro é incerto”.
Nas aberturas, o Índice de Situação Atual (ISA-CST) recuou 1,6 ponto, para 97,0 pontos, o menor nível desde agosto (96,4 pontos).
O resultado foi puxado pela piora do volume da carteira de contratos, que caiu 1,7 ponto, para 98,8 pontos, e do indicador que mede a situação atual dos negócios, que cedeu 1,4 ponto, a 95,2 pontos.
O Índice de Expectativas (IE-CST), por sua vez, caiu 8,8 pontos, para 94,4 pontos, a menor marca desde março, quando havia atingido 93,9 pontos. Entre os componentes do grupo, o indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses cedeu 10,1 pontos, para 93,4 pontos, e o indicador de perspectivas sobre demanda recuou 7,4 pontos, a 95,4 pontos.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da construção subiu 2,1 pontos porcentuais, para 79,2%. Nas aberturas, o Nuci de Mão de Obra avançou 2,2 pontos, para 80,4%, e o Nuci de Máquinas e Equipamentos teve alta de 2,0 pontos porcentuais, para 73,9%.
Construção
Sinais econômicos mais fracos afetam resultados, avaliam economistas
O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de outubro apontou para a criação líquida de 159,5 mil novos postos de trabalhos, uma desaceleração ante às 277,39 mil vagas registradas no mês anterior. O número, divulgado nesta terça-feira (29), ficou aquém das expectativas do mercado, que esperava 210 mil novos empregos.
Também nesta terça, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) divulgou o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que registrou uma deflação de 0,56% em novembro, após queda de 0,97% no mês anterior. Os índices de Confiança do Comércio e de Serviços também apresentaram queda neste mês, na comparação com outubro.
Além disso, segundo o Banco Central, as concessões dos bancos no crédito livre caíram 4,3% em outubro, para R$ 437,5 bilhões. Junto com a concessão de crédito, subiu também a inadimplência. A dívida do crédito total do sistema financeiro, que considera os atrasos superiores a 90 dias, registrou alta de 0,1 ponto percentual, ao atingir 3%.
Para economistas consultados pelo CNN Brasil Business, o cenário reflete uma desaceleração da economia no começo do quarto trimestre.
“Essa desaceleração mostra uma economia mais fraca e o efeito dos juros mais elevados no consumo”, afirma Bruno Imaizumi, da LCA Investimentos.
Segundo o especialista, as perspectivas para geração de empregos calculadas pela Fundação Getúlio Vargas também mostram um desaquecimento para novas vagas em novembro.
Outro ponto citado pelo economista da LCA é em relação aos estímulos governamentais que começam a se esgotar. O saque extraordinário do FGTS, a antecipação do 13º salário, a redução da bandeira tarifária de escassez hídrica e a desoneração fiscal que ocorreu nos combustíveis, energia elétrica, comunicação e transporte coletivo via PLP 18/2022, começam a chegar ao fim.
“A PEC dos Combustíveis, a ampliação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, a ampliação do Vale-Gás, auxílio para caminhoneiros e taxistas, modificação no ressarcimento do etanol aos estados e compensação aos estados no transporte gratuito de idosos saem das mãos das pessoas beneficiadas”, diz Imaizumi
Outro dado que indica a desaceleração é o salário real médio de admissão, que recuou na passagem de setembro para outubro em 0,38%, para R$ 1.932,93. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o valor mostra avanço de 1,19%.
“A criação líquida de outubro já mostra uma certa perda de ímpeto na abertura do quarto trimestre, frente aos meses anteriores”, diz Eduardo Vilarim, economista do Original. O especialista ressalta, no entanto, que resultado ainda se situa acima da média computada para o mês desde 2007 [121 mil vagas], o que “contribui para nossa projeção de 2 milhões de vagas formais criadas em 2022”, diz.
Setores
O resultado positivo do mês foi disseminado pelos grupos de atividades econômicas monitorados pelo governo no mês, mas a desaceleração é mais concentrada na “indústria geral”, segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, que exibiu quedas “bem além do sugerido pela sazonalidade ajustada para esse ano”.
O especialista diz, porém, que o cenário “não muda drasticamente o bom resultado do mercado de trabalho formal desse ano, que deverá fechar com a criação de mais de 2,2 milhões de postos líquidos”.
Bruno Imaizumi, da LCA Investimentos, destaca a baixa acentuado no setor de agropecuária, indústria e construção. Esse último, segundo ele, vinha gerando vagas desde o começo da nova medição do Caged, iniciada em janeiro de 2020 – tirando os meses de pandemia e os meses de dezembro, pois costumam ter desligamentos mais fortes.
“Outubro de 2022 foi o pior mês desde o início do Novo Caged. Para se ter uma noção, o mês registrou uma criação de 3,7 mil vagas na construção. Se comparamos todos os meses deste ano, desde janeiro, era uma média de 32 mil novos postos de trabalho por mês no setor”, ressalta.
Comércio também registrou desaquecimento em relação ao mês anterior, mas permanece em patamar elevado, beneficiado pela reabertura econômica.
“O setor de serviços também teve forte desacelerada, principalmente em informação, comunicação, alojamento, alimentação, transporte e armazenagem. Por outro lado, os setores que demandam de uma mão de obra mais especializada, como no caso de tecnologia, tiveram resultados positivos e seguraram os números do índice”, explica.
Construção
PIB da construção deve crescer 2,4% em 2023, de acordo com Sinduscon-SP e FGV
O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil deve crescer 2,4% em 2023, de acordo com projeção do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-SP) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgada nesta terça-feira, 6.
O cenário, se confirmado, representará um desaquecimento expressivo das atividades perante 2022, quando o PIB fechará em alta de 7%, e de 2021, quando bateu em 10%.
A coordenadora de estudos da construção da FGV, Ana Maria Castelo, atribuiu esse esfriamento à perspectiva de poucas obras e reformas domésticas, uma vez que as famílias estão bastante endividadas e sem grandes evoluções reais de renda.
“Um peso grade na perspectiva da desaceleração vem do ‘efeito família’, responsáveis por autoconstrução e reforma. Esse componente é que está puxando para baixo o PIB”, destacou Castelo, durante entrevista coletiva à imprensa.
Outro problema, segundo ela, é a própria expectativa de redução do ritmo de atividade da economia brasileira como um todo, combinada com as dificuldades de controles das contas públicas.
“Vemos uma situação fiscal complicada para os Estados pela perda de ICMS. Alguns estão tentando reagir aumentando a tributação, o que é ruim para os setores produtivos. Temos aí um desafio.”
Apesar da desaceleração, Castelo avaliou que o setor tende a seguir saudável no ano que vem.
“O dado não é negativo. Obviamente se reduz o ritmo, mas ainda estamos falando em crescimento. E ainda é forte”, ponderou, lembrando que o PIB da construção vai aumentar mais que o PIB do Brasil como um todo. “As projeções para o PIB do país estão abaixo de 1% para o ano que vem.”
Pelo lado positivo, o PIB da construção tende a ser impulsionado pelo avanço do ciclo de obras residenciais e comerciais, após tantos lançamentos e vendas realizados nos últimos dois a três anos.
Há também esperança de um desempenho mais forte da infraestrutura, à medida em que os investimentos assumidos pelas empresas vencedores de concessões vão sendo convertidas em obras, de fato.
A dúvida no campo de infraestrutura, porém, está na capacidade do setor público.
“Há perspectiva de continuidade de investimentos aqui. Mas sabemos, claro, da importância da participação do setor público ajudando a sustentar esses investimentos, porque os investimentos privados não dão conta sozinhos”, frisou Castelo. “Estão em suspensos as sinalizações que nos deem mais segurança.”
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