Arquitetura
XVII Semana de Arquitetura e Urbanismo FCT Unesp Presidente Prudente

Paisagem que Habito, Paisagem que Habitamos.
Habitar uma paisagem implica muito mais do que nela residir fisicamente; envolve uma relação de transformação mútua entre ser humano e ambiente. “Habitar é a maneira como os mortais são na terra” (Heidegger). Essa relação é fundamental não só como mera ocupação espacial, mas sim revela o habitar como parte constituinte fundamental da existência humana. A paisagem, assim, deixa de ser cenário e se torna viva identidade, onde gestos cotidianos, memórias coletivas e projeções de futuro se entrelaçam. Nesse processo contínuo, o habitante molda e é moldado, onde nessa relação é moldada uma trama de relações que definem a identidade desses corpos.
E se “O espaço capturado pela imaginação não pode permanecer no espaço indiferente entregue à medida e à reflexão do geômetra. É vivido” (Bachelard). Essa relação entre os corpos transforma a paisagem: cada trilha percorrida, rio ouvido ou árvore reconhecida compõe muito mais que um aspecto espacial, mas uma série de significados que geram pertencimento. Habitar, portanto, é exercício poético de decifração e recriação permanente, onde o espaço físico converte-se em espaço existencial, carregado de sobreposições e afetos compartilhados.
Mas quando essa relação se rompe, quando rios são tamponados, florestas desmatadas, espaços homogeneizados, a paisagem deixa de ser “o horizonte sensível de nossa existência coletiva” (Besse). O projeto, nesse contexto, não pode reduzir-se à intervenção técnica: deve ser “reconhecimento dos laços que nos unem ao mundo visível” (Besse), restituindo à paisagem sua função de “suporte existencial” onde corpos e memórias se inscrevem. Como arquitetos, como tecer essa reconciliação?
Nosso evento contará com: Mesas Redondas, Oficinas, Mini-Cursos, XVI Congresso de Iniciação Científica em Arquitetura e Urbanismo (CICAU), Convidados Incríveis, Charrete e muito mais!
Inscrições já estão disponíveis. Participe!
Fiquem de olho nas informações que compartilharemos em nosso Instagram @semanarqunesp! Ainda temos muitas novidades para contar!
A Semana da Arquitetura é realizada todos os anos, pelo CACAU (Centro Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo) e já trouxe nomes como Erminia Maricato, Coletivo LEVANTE, Décio Tozzi, Flávio Villaça, Ana Fani, João Sette Whitaker, Elisabete França, Marcos L. Rosa, Laura Sobral, Rodrigo Barbosa, Arthur Whitacker, Escritório Piratininga, Roberto Segre, Manoel Botelho, Arquitetos Associados, Aum Arquitetos, Francisco Spadoni, Renato Anelli, Sheila Ornstein, Antônio Arantes Neto, USINA CTAH, Boldarini Arquitetos Associados, Karin Fernanda Schwambach, Brasil Arquitetura, Renato Cymbalista e Pedro Fiori Arantes, além de videoconferências com Estúdio América, FGMF e H+F.
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Fonte: Archdaily
Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

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- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
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