Política
Zema critica sigilo de Lula, mas mantém em segredo benefícios fiscais de seu governo
(FOLHAPRESS) – Entre as críticas que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), têm feito ao governo Lula (PT), uma das mais constantes se refere a sigilos impostos pelo petista, como o que classificou determinadas informações como confidenciais pelo prazo de cem anos.
O mineiro, porém, também é alvo de questionamentos no estado por manter em segredo os maiores destinatários dos benefícios tributários conferidos pelo governo ao setor empresarial.
A soma dessa renúncia de arrecadação tem crescido a cada ano, e no Orçamento de 2025 está prevista para chegar a R$ 22,7 bilhões.
O valor é superior ao projetado para os gastos da Secretaria de Educação -R$ 19,5 bilhões- pasta que concentra o maior nível de despesas.
Procurada, a Secretaria da Fazenda disse que encaminha informações aos órgãos fiscalizadores e que disponibiliza em seu site dados relativos às renúncias de receita e desonerações.
A página não mostra, porém, detalhamento sobre as empresas nem os setores beneficiados pelas renúncias.
Em publicação da última quarta-feira (21), o governador mineiro afirmou: “Aqui, ninguém esconde nada. Tudo é claro, acessível e auditável: das obras nas estradas às viagens do governador. Enquanto em Brasília o sigilo de 100 anos ainda é rotina, em Minas, transparência é regra”.
Zema aumentou o tom das críticas a Lula nos últimos meses na tentativa de popularizar seu nome junto ao eleitorado de direita em meio à inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL), a quem é aliado.
Na postagem, ele se referia à lei do governo federal que prevê restrição de acesso a informações pessoais relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de cem anos.
Nas eleições de 2022, o presidente Lula prometeu acabar com a medida. Ele chegou a determinar a revisão dos sigilos decretados por Bolsonaro, mas acabou usando o recurso.
Zema, no entanto, não tinha o costume de criticar na mesma intensidade e de forma pública as medidas de sigilo impostas pelo ex-presidente.
Em Minas, o aumento dos benefícios tributários voltou à tona nas últimas semanas, quando o governo contingenciou R$ 1,1 bilhão do Orçamento e também na ocasião em que entregou aos deputados o plano para renegociar a dívida de R$ 168 bilhões do estado junto à União.
Em audiência na Assembleia Legislativa, o vice-governador Mateus Simões (Novo) foi cobrado sobre a falta de transparência das renúncias tributárias pela deputada Lohanna (PV), da oposição.
Ela citou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou a redução de um terço dos benefícios fiscais em seu estado e deveria servir de exemplo ao governo mineiro.
Simões, pré-candidato escolhido por Zema para sucedê-lo no governo de Minas, disse que as concessões tributárias não são um favor ao empresariado, mas admitiu que a falta de transparência o incomoda.
“Eu tenho horror, vou até usar uma palavra mais forte, nojo de sigilo. Acho que sigilo fiscal e sigilo bancário é um contra-favor que foi colocado na nossa Constituição. A gente só protege o malfeitor.”
Ele assumiu compromisso de formular um estudo para replicar o modelo do governo federal de divulgação dos maiores beneficiários das renúncias.
A alta dos benefícios tributários concedidos pelo governo mineiro em relação ao ano anterior foi de R$ 4,4 bilhões, em valores atualizados pela inflação. O peso desses subsídios na proporção da receita corrente líquida do Estado também aumentou, de 12,31% em 2024 para 14,64% em 2025.
Outro dos temas preferidos de Zema para criticar a gestão federal é a segurança pública. Na última semana, ele publicou vídeo copiando discurso do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conhecido por pregar linha-dura no combate ao crime.
Na ocasião, afirmou que “no Brasil, os criminosos muitas vezes estão dentro do governo” e que o “Estado brasileiro decidiu não combater o crime”.
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Política
Mario Frias direcionou verba pública a produtora de filme sobre Jair Bolsonaro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de três CNPJs na área de tecnologia e esportes, além de ter firmado um contrato no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.
As informações foram divulgadas primeiro pelo portal The Intercept Brasil e confirmadas pela reportagem.
Uma das pessoas envolvidas na produção é o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. A reportagem teve acesso ao roteiro do filme, que contém a informação de que ele é baseado “em uma história real escrita por Mario Frias intitulada ‘Capitão do Povo'”.
Frias foi responsável pela aprovação de duas verbas de emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, que produz “Dark Horse”.
Procurados, Mario Frias e o Instituto Conhecer Brasil não se manifestaram até a publicação deste texto.
Os repasses de emenda parlamentar foram de R$ 2 milhões ao todo. No ano passado, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação numa ação de letramento digital. Via Ministério dos Esportes, o ICB foi contratado por R$ 1 milhão para implantar o Projeto Lutando Pela Vida, de artes marciais.
No passado, a instituição foi autorizada a captar recursos para executar projetos ligados ao mundo evangélico, como “A Turma do Smilinguido no Teatro” e um festival itinerante da Marcha para Jesus, mas não conseguiu levantar fundos em ambos os casos.
Mas o contrato de valores mais expressivos foi com a gestão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura da capital paulista. A instituição foi contratada pela prefeitura para instalação de 5.000 pontos de wi-fi no valor de R$ 108 milhões.
Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a contratação do Instituto Conhecer Brasil foi realizada “por meio de chamamento público transparente e sem contestações”.
Segundo a prefeitura, “a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026”.
O valor total da parceria é de R$ 108 milhões, mas os repasses realizados até o momento são de, aproximadamente, R$86 milhões, que correspondem aos serviços já executados.
O filme “Azarão”, ou “Dark Horse” no título original, narra os momentos do ex-presidente após ser vítima de esfaqueamento em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2018. A primeira locação de filmagem foi no Hospital Indianópolis, na zona sul da capital paulista.
O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana. Ele tem em seu currículo filmes como “Infidel”, “O Jovem Messias” e “O Apedrejamento de Soraya M.”, segundo o Internet Movie Database. Jair Bolsonaro será vivido por Jim Caviezel, que viveu Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e também estrelou “Som da Liberdade”, sucesso entre o público conversador em 2023.
Fonte: Notícias ao Minuto
Política
PF apreende R$ 430 mil em dinheiro vivo na casa de líder do PL Sóstenes Cavalcante
A Polícia Federal (PF) apreendeu um total de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) em uma operação realizada nesta sexta-feira, 19, para apurar desvios na cota parlamentar.
A investigação suspeita que o deputado, que é líder do PL na Câmara, fez repasses para uma locadora de veículos com o objetivo de desviar recursos da Casa. Ele ainda não se manifestou sobre o caso.
No endereço onde o parlamentar vive em Brasília, em um flat, os investigadores encontraram no armário uma sacola preta cheia de notas de R$ 100, que foram contabilizadas e apreendidas sob suspeita de serem provenientes do desvio de recursos públicos.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão, mas não foi encontrado dinheiro vivo em seu endereço. Jordy afirmou em uma rede social que fez pagamentos à empresa suspeita de desvios com o objetivo de aluguel de carros desde o início do seu mandato e classificou a ação de “pesca probatória”.
Política
PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (19) mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo pessoas com conhecimento da ação, a operação da PF não ocorre nos gabinetes parlamentares de Sóstenes e Jordy. Os sete mandados, autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), são cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
O objetivo da operação é aprofundar investigações sobre desvios de recursos públicos de cotas parlamentares, de acordo com a corporação.
“De acordo com as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública”, disse a PF.
Jordy publicou um vídeo nas redes sociais e chamou a ação de “covarde”. Segundo ele, a justificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carrros.
“Sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o início do meu primeiro mandato. A mesma empresa que o deputado Sóstenes, que eu acredito que também esteja sendo alvo de busca e apreensão, aluga veículos dessa mesma empresa desde o início do primeiro mandato dele. A alegação deles é tosca, eles dizem que chama muito a atenção o número de veículos desta empresa”, disse.
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