Política
Bolsonaro atrai presidenciáveis da direita e mira mulheres em 1º ato após virar réu
JULIANA ARREGUY E VICTÓRIA CÓCOLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Menos de duas semanas após se tornar réu sob acusação de liderar uma trama golpista, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) promove novo ato pela anistia aos envolvidos no 8 de janeiro ao lado de apoiadores -e possíveis herdeiros políticos- neste domingo (6), na avenida Paulista, em São Paulo.
Quatro dos principais nomes da direita cotados à Presidência da República em 2026, diante da inelegibilidade de Bolsonaro, confirmaram presença: os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Entre eles, apenas Tarcísio esteve no protesto de 16 de março em Copacabana, no Rio de Janeiro.
O ato deste domingo, segundo seus organizadores, busca demonstrar apoio popular ao projeto de anistia –atualmente parado na Câmara dos Deputados– e pressionar sua votação em caráter de urgência. A mobilização também mira críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), que aceitou a denúncia na qual o ex-presidente é acusado de participação em trama golpista em 2022.
Como mostrou a Folha, aliados de Bolsonaro têm concentrado esforços no público feminino para liderar o movimento. Nesta semana, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo convocando as mulheres a comparecer ao ato munidas de batons -referência ao caso da cabeleireira Débora Rodrigues Santos, que pichou a estátua “A Justiça”, em frente ao STF, ficou detida por dois anos e passou à prisão domiciliar na semana passada.
Bolsonaristas têm explorado o episódio para criticar as penas aplicadas aos envolvidos no 8 de janeiro. Como parte do protesto, um batom inflável de 6 metros de altura deve ser erguido na avenida. A organização prevê que a convocatória de Michelle deve atrair muitas mulheres, já que a própria ex-primeira-dama estará presente, diferentemente do que ocorreu no ato de Copacabana, e fará um discurso.
A aposta na participação feminina visa suavizar os impactos dos ataques e colocar os envolvidos na esfera da proteção dos direitos humanos, disse a analista política Júlia Almeida à Folha.
O ato tem início marcado para às 14h, em frente ao Masp. O discurso de Bolsonaro, que encerra o protesto, está previsto para ocorrer por volta das 16h. Interlocutores apostam que, repetindo o roteiro usado em Copacabana, a fala deve focar na anistia, sem enfatizar tantas críticas ao STF. Essa parte seria atribuída ao pastor Silas Malafaia, um dos organizadores da manifestação.
O mesmo deve acontecer em relação à fala do principal afilhado político de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas. Aliados afirmam que o governador de São Paulo fará um discurso mais ameno e focado nas penas impostas aos condenados do 8 de janeiro, evitando ataques às instituições. Ele também deve repetir os elogios a Bolsonaro, a quem sempre agradece por tê-lo lançado à vida política e a quem publicamente defende na disputa à Presidência em 2026, mesmo que o ex-presidente esteja inelegível.
“O Brasil era diferente, a gente tem que voltar a caminhar pela prosperidade. A gente precisa de um grande líder e esse líder é Jair Messias Bolsonaro”, afirmou Tarcísio em seu discurso no ato de Copacabana, em março.
Tarcísio deve ser o único dos governadores presentes a discursar. Ao todo, oito devem comparecer: Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, Mauro Mendes (União), do Mato Grosso e Wilson Lima (União), do Amazonas, além dos nomes já citados acima.
Embora Tarcísio negue publicamente a intenção de se candidatar ao Planalto, aliados do governador afirmam que a sua saída do cargo é vista como certa pelo seu entorno, dada a proximidade dele com Bolsonaro, que está hospedado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
Cotados para concorrer ao governo do estado, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o presidente na Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), têm articulado suas candidaturas nos bastidores e confirmaram presença no ato deste domingo. Nunes, inclusive, foi incluído na lista de discursos.
A expectativa é que o ato em São Paulo seja maior do que o que ocorreu no Rio de Janeiro. Na ocasião, esperava-se 1 milhão de participantes, segundo o ex-presidente. No entanto, a estimativa do Datafolha contabilizou 30 mil presentes no local. Desta vez, tanto a coordenação do ato quanto Bolsonaro não apresentaram, em números, o quanto esperam atrair na Paulista.
De forma a evitar que o protesto seja esvaziado pelos alertas de chuvas para o domingo, a organização prepara tendas para os trios elétricos onde serão realizados os discursos e pede que as falas sejam breves, de até três minutos.
A ordem dos discursos foi definida da seguinte forma: primeiro, a deputada federal Priscila Costa (PL-CE) fará uma oração. Na sequência, discursarão o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a vice-prefeita de Dourados (MS), Gianni Nogueira (PL), a quem Bolsonaro pretende apoiar para uma vaga ao Senado em 2026, os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Caroline de Toni (PL-SC), o senador Rogério Marinho (PL-RN), Nunes, Michelle, Tarcísio, Malafaia e, por fim, Bolsonaro.
Política
Mario Frias direcionou verba pública a produtora de filme sobre Jair Bolsonaro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de três CNPJs na área de tecnologia e esportes, além de ter firmado um contrato no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.
As informações foram divulgadas primeiro pelo portal The Intercept Brasil e confirmadas pela reportagem.
Uma das pessoas envolvidas na produção é o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. A reportagem teve acesso ao roteiro do filme, que contém a informação de que ele é baseado “em uma história real escrita por Mario Frias intitulada ‘Capitão do Povo'”.
Frias foi responsável pela aprovação de duas verbas de emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, que produz “Dark Horse”.
Procurados, Mario Frias e o Instituto Conhecer Brasil não se manifestaram até a publicação deste texto.
Os repasses de emenda parlamentar foram de R$ 2 milhões ao todo. No ano passado, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação numa ação de letramento digital. Via Ministério dos Esportes, o ICB foi contratado por R$ 1 milhão para implantar o Projeto Lutando Pela Vida, de artes marciais.
No passado, a instituição foi autorizada a captar recursos para executar projetos ligados ao mundo evangélico, como “A Turma do Smilinguido no Teatro” e um festival itinerante da Marcha para Jesus, mas não conseguiu levantar fundos em ambos os casos.
Mas o contrato de valores mais expressivos foi com a gestão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura da capital paulista. A instituição foi contratada pela prefeitura para instalação de 5.000 pontos de wi-fi no valor de R$ 108 milhões.
Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a contratação do Instituto Conhecer Brasil foi realizada “por meio de chamamento público transparente e sem contestações”.
Segundo a prefeitura, “a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026”.
O valor total da parceria é de R$ 108 milhões, mas os repasses realizados até o momento são de, aproximadamente, R$86 milhões, que correspondem aos serviços já executados.
O filme “Azarão”, ou “Dark Horse” no título original, narra os momentos do ex-presidente após ser vítima de esfaqueamento em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2018. A primeira locação de filmagem foi no Hospital Indianópolis, na zona sul da capital paulista.
O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana. Ele tem em seu currículo filmes como “Infidel”, “O Jovem Messias” e “O Apedrejamento de Soraya M.”, segundo o Internet Movie Database. Jair Bolsonaro será vivido por Jim Caviezel, que viveu Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e também estrelou “Som da Liberdade”, sucesso entre o público conversador em 2023.
Fonte: Notícias ao Minuto
Política
PF apreende R$ 430 mil em dinheiro vivo na casa de líder do PL Sóstenes Cavalcante
A Polícia Federal (PF) apreendeu um total de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) em uma operação realizada nesta sexta-feira, 19, para apurar desvios na cota parlamentar.
A investigação suspeita que o deputado, que é líder do PL na Câmara, fez repasses para uma locadora de veículos com o objetivo de desviar recursos da Casa. Ele ainda não se manifestou sobre o caso.
No endereço onde o parlamentar vive em Brasília, em um flat, os investigadores encontraram no armário uma sacola preta cheia de notas de R$ 100, que foram contabilizadas e apreendidas sob suspeita de serem provenientes do desvio de recursos públicos.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão, mas não foi encontrado dinheiro vivo em seu endereço. Jordy afirmou em uma rede social que fez pagamentos à empresa suspeita de desvios com o objetivo de aluguel de carros desde o início do seu mandato e classificou a ação de “pesca probatória”.
Política
PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (19) mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo pessoas com conhecimento da ação, a operação da PF não ocorre nos gabinetes parlamentares de Sóstenes e Jordy. Os sete mandados, autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), são cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
O objetivo da operação é aprofundar investigações sobre desvios de recursos públicos de cotas parlamentares, de acordo com a corporação.
“De acordo com as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública”, disse a PF.
Jordy publicou um vídeo nas redes sociais e chamou a ação de “covarde”. Segundo ele, a justificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carrros.
“Sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o início do meu primeiro mandato. A mesma empresa que o deputado Sóstenes, que eu acredito que também esteja sendo alvo de busca e apreensão, aluga veículos dessa mesma empresa desde o início do primeiro mandato dele. A alegação deles é tosca, eles dizem que chama muito a atenção o número de veículos desta empresa”, disse.
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