Arquitetura
Centro Turístico do Píer Hualinggang de Yueyang / WANG HUI | URBANUS

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- Área:
1624 m²
Ano:
2024

Descrição enviada pela equipe de projeto. No final de 2018, o Parque de Patrimônio Industrial do Porto de Yueyang foi oficialmente inaugurado, preservando elementos marcantes da era industrial — como trilhos ferroviários, torres de guindaste e estruturas de armazéns — que coexistem tanto com os distritos históricos quanto com a cidade do futuro. Inserido a oeste do Lago Dongting, o parque ecológico se consolida como o principal espaço público do núcleo histórico da cidade. Entretanto, uma carência significativa era a ausência de instalações de apoio ao longo da orla. Apesar das críticas recorrentes, novas construções nessa área totalmente desindustrializada eram inviáveis devido às restrições mais recentes de zoneamento. Foi somente com a Conferência de Desenvolvimento do Turismo que surgiu uma oportunidade excepcional, viabilizada por políticas especiais, permitindo aprimorar e complementar o Parque de Patrimônio Industrial do Porto de Yueyang.


A primeira grande conquista do projeto foi a reativação do cais. A Torre de Yueyang, o Lago Dongting e a Ilha Junshan constituem os três elementos fundamentais da paisagem local: a torre contempla o lago, o lago reflete a torre e a ilha repousa em seu interior, formando um “triângulo turístico dourado”. A travessia aquática que parte da Torre de Yueyang em direção à Ilha Junshan oferece a melhor forma de vivenciar simultaneamente a cultura histórica e a paisagem natural de Dongting, transformando a contemplação estática em uma experiência dinâmica. Nesse contexto, um cais para visitantes torna-se essencial para conectar esses três pontos. No centro do parque, há um antigo cais de carga cuja adaptação permite convertê-lo em um terminal para iates e embarcações de passageiros. Com pontes flutuantes, o espaço pode acomodar 22 vagas para pequenos iates e 15 para embarcações de médio porte, configurando um cenário que, mesmo antes da operação do transporte aquático, já desperta o imaginário emocional de iniciar uma jornada pelo Lago Dongting.

O cais exige estruturas de apoio. Durante a fase inicial de demolição, dois prédios de escritórios — paralelos e perpendiculares ao lago — foram preservados, o que posteriormente forneceu a base legal para adaptar essas construções ao novo centro turístico. O lado leste dos edifícios conecta-se à Rua Sul de Yueyang, formando um circuito integrado entre o transporte terrestre e o aquático. A nordeste, ergue-se uma pequena colina onde está o Pagode Cishi, com 39 metros de altura: uma torre octogonal de tijolos, com sete andares, datada da Dinastia Song, que historicamente funcionou como farol de navegação nas águas turbulentas do Lago Dongting. As intervenções recentes no entorno aproximaram o pagode do Parque de Patrimônio Industrial do Porto de Yueyang, restituindo-lhe sua posição junto à beira d’água. Como patrimônio cultural nacional, a área ao redor do pagode possui rígidos controles de construção; no entanto, o lado sudoeste da zona de proteção fica a 10 metros das estruturas existentes, tornando viável a renovação dos dois edifícios. Afinal, parece apropriado que esse farol histórico — que por séculos guiou embarcações rumo ao Lago Dongting — mantenha uma relação direta com o novo cais para visitantes.


O térreo dos dois edifícios atende plenamente às necessidades funcionais de um centro turístico, abrigando bilheteria, áreas de espera e sanitários. Uma ampla escada conecta o segundo ao terceiro pavimento, formando um portal entre a rua e o cais, ao mesmo tempo em que cria um espaço ao ar livre para as atividades do nível superior. Nesse terraço, os visitantes podem sentar-se e apreciar serenamente o nascer e o pôr do sol sobre o Lago Dongting, vivenciando a paisagem em sua constante transformação. Durante os meses quentes e úmidos do verão, as plataformas externas demandam proteção, e o contorno original dos edifícios carecia de maior presença quando observado a partir do lago. Por isso, a implantação de um toldo em membrana tensionada, com forma inspirada em uma vela, surgiu naturalmente como solução para cobrir a estrutura.

O desenho estrutural do toldo surgiu a partir de uma observação espontânea feita em uma plataforma de contemplação dentro do parque. Essa plataforma abrigava uma instalação artística e oferecia uma vista privilegiada dos dois edifícios preservados. Ao abrir parcialmente o lado norte de um deles, tornou-se possível enquadrar o Pagode Cishi no núcleo do conjunto arquitetônico. Com o toldo em arco envolvendo visualmente o pagode, estabelece-se um diálogo entre o antigo farol e o cais contemporâneo, conectando o passado ao presente e entrelaçando história e modernidade.


A membrana tensionada em grande escala se destacaria intensamente na paisagem ao redor. Inspirando-se no contexto local — onde grandes armazéns e pequenas residências coexistem — percebe-se uma diversidade marcante nas linhas de cobertura, criando uma estética dinâmica e eclética. Assim, a estrutura do toldo foi concebida como uma sequência de abóbadas contínuas, organizadas de modo a evocar um pequeno assentamento. Ao mesmo tempo, a adoção de arcos radiais centrados no Pagode Cishi permite que o conjunto permaneça contido dentro do perímetro original do edifício, conferindo um contorno dinâmico em todas as suas fachadas. Após cuidadosa consideração da topografia, da relevância histórica do pagode e do ambiente à beira do lago, emergiu no Lago Dongting um novo marco cultural — um gesto arquitetônico que honra o passado enquanto acolhe o futuro.

O pavimento superior, que reúne espaços públicos e instalações de apoio, transformou profundamente a experiência de espera. A forma de acessar esses ambientes elevados torna-se, portanto, um ponto central do projeto. Ao reinterpretar as escadas de incêndio de maneira poética, elas passam a funcionar como elementos esculturais no perfil do edifício, convertendo os antigos espaços voltados para o lago em salões públicos. Essa solução não apenas abre o interior para a paisagem, como também cria dois ambientes sombreados e flexíveis, ideais para pequenos eventos em todo o complexo. Em razão das restrições impostas pela zona de preservação no lado norte, o acesso aos andares superiores é discretamente integrado ao interior, conformando um espaço quase teatral. Já o lado sul, livre de limitações, permite maior liberdade: duas escadas semicirculares projetam-se para fora do edifício, oferecendo vistas para o parque e para o lago. As plataformas intermediárias entre o segundo e o terceiro pavimentos funcionam como áreas sociais abertas, proporcionando enquadramentos diretos para o Lago Dongting.

A estrutura metálica das escadas e do toldo, em conjunto com as paredes de concreto armado, resgata o chamado estilo industrial. Ela transmite uma forte sensação de contemporaneidade ao estabelecer um diálogo entre o antigo e o novo, contrastando com as superfícies de tijolos desgastados. Dessa forma, a estética ausente da era industrial é reinterpretada e atualizada. O novo cais, agora equipado, não apenas atende às demandas do turismo, como também supre a carência de serviços no Parque de Patrimônio Industrial. Ao reciclar e reutilizar os remanescentes desse legado, o espaço oferece possibilidades para exposições, mostras e eventos, cumprindo a missão do parque de “preservar a história e olhar para o futuro”. A proposta permite que os visitantes se aprofundem na memória do lugar e experimentem um intenso sentido de tempo e espaço. Em uma escala mais ampla, o centro turístico atua como um equipamento cultural com forte poder narrativo, simbolizando a renovação espiritual de Yueyang. De um lado, fortalece o orgulho e o senso de pertencimento da população local; de outro, apresenta uma cidade que não só se ancora em seu rico patrimônio histórico, mas também projeta confiança em seu desenvolvimento contemporâneo e futuro.

Mais do que preservar o entorno histórico do Pagode Cishi, o projeto do centro turístico oferece uma nova forma de percebê-lo e compreendê-lo por meio de uma linguagem arquitetônica contemporânea. O pagode e o centro turístico deixam de existir como marcos isolados e passam a compor uma narrativa espacial conjunta, capaz de contar a história integrada da cidade. Além disso, essa intervenção cirúrgica no local revitalizou toda a área e impulsionou o desenvolvimento do setor sul do Parque de Patrimônio Industrial.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

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- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
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Política9 meses atrásEUA desmente Eduardo Bolsonaro sobre sanções a Alexandre de Moraes


