Arquitetura
Edifício Ursulastrasse 6 / Studio Mark Randel + David Chipperfield

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- Área:
2453 m²
Ano:
2022
Fabricantes: Boehmler, Cinca Mosaic, Renner Bau, Soreg Glide, Wigglesworth Weider

Descrição enviada pela equipe de projeto. Em uma tranquila rua residencial no bairro de Altschwabing, em Munique, entre a Münchner Freiheit e o Englischer Garten, nosso cliente adquiriu um terreno com uma edificação atípica e térrea da década de 1920, com o objetivo de desenvolver um novo edifício residencial. Embora o bairro e seu perfil demográfico tenham mudado significativamente nas últimas décadas, Schwabing ainda preserva uma atmosfera artística e de espírito livre. A região é marcada por uma vida urbana intensa, com bares, restaurantes locais e internacionais, cinemas, galerias, teatros tradicionais, creches e escolas.


O terreno está situado no meio de uma rua predominantemente caracterizada por edifícios preservados do final do século XIX e início do século XX. Algumas unidades no térreo abrigam restaurantes, cafés e lojas, mas, apesar da cena gastronômica animada, a curta rua de paralelepípedos mantém um clima silencioso. Há uma forte sensação de comunidade consolidada e de relações de vizinhança. O pano de fundo sonoro é composto pelo canto dos pássaros, crianças brincando e o som dos sinos da igreja.

O lote se estende da rua, na frente, até um pequeno parque ao redor da histórica igreja de Sankt Silvester, nos fundos. Desenvolvemos o edifício de modo a formar um quarteirão urbano completo em conjunto com o terreno vizinho. Nosso ponto de partida foi o chamado “plano de pavilhões”, de Theodor Fischer, no qual identificamos diversas qualidades ainda pertinentes ao desenvolvimento urbano contemporâneo. Fischer elaborou seus projetos urbanísticos entre 1893 e 1902, que serviram como referência para as normas construtivas em muitas áreas de Munique até a década de 1970. O plano propõe dois edifícios residenciais em forma de U que, juntos, conformam um quarteirão com pátio interno compartilhado. A presença de acessos arborizados entre os blocos e de cocheiras de dois pavimentos nos fundos fragmenta as fachadas voltadas para a rua, abrindo vistas para espaços semi-privados.

Optamos por seguir o conceito de Fischer e concluir, mais de cem anos depois, o planejamento urbano originalmente previsto. Para isso, a planta e a forma da cobertura do edifício foram tomadas como premissas — trata-se de uma réplica exata do edifício vizinho e, portanto, da materialização da forma urbana originalmente pretendida. Ao alinhar as alturas dos pavimentos e das cimalhas, o novo edifício completa o quarteirão. Isso só foi possível mantendo o pé-direito dos apartamentos construídos nos séculos XVIII e XIX. Felizmente, o cliente compartilhou dessa visão e abriu mão de um pavimento adicional. A garagem subterrânea, localizada no subsolo, é acessada por meio de um elevador de veículos discreto.

O edifício contribui para a vida do bairro com dois gestos acolhedores no térreo. O primeiro é um café que se abre generosamente para a rua, tornando-se parte do espaço público e trazendo vitalidade ao entorno. O segundo é um banco fixo, permanentemente instalado, que convida à permanência em qualquer hora do dia ou da noite, oferecendo a transeuntes e moradores um lugar ao sol no final da tarde.


A fachada do edifício transmite uma sensação de permanência e proteção, enquanto a plasticidade e o peso visual do concreto apicoado dialogam com os edifícios vizinhos de reboco áspero. O jogo de luz e sombra presente nas construções antigas é reinterpretado na irregularidade artesanal da superfície de concreto. As marcas do trabalho manual, visíveis sob a luz rasante, conferem ao edifício uma qualidade humana singular.

Dedicamos atenção especial ao posicionamento e às dimensões das janelas. Embora a altura dos ambientes corresponda à do edifício vizinho, as aberturas do novo prédio são significativamente maiores. O uso de guarda-corpos baixos e da altura total dos ambientes amplia a relação visual com o exterior. Como resultado, o entorno passa a fazer parte do espaço interior, e a luz solar penetra profundamente nos ambientes. A proximidade dos edifícios opostos e das árvores reforça a sensação de pertencimento ao lugar e à sua história, conferindo aos espaços de moradia uma atmosfera particular de tranquilidade.

Nos fundos do terreno, encontra-se uma cocheira protegida de dois pavimentos, com jardim próprio. Uma passagem conecta esse jardim privado à entrada principal e, no futuro, permitirá o acesso ao pequeno parque da igreja por meio de um portão ajardinado.

Arquitetura
Casa Vogue de março apresenta o melhor da vida nas grandes cidades

“A única virtude incontestável de uma casa é o endereço”, dizia Paulo Mendes da Rocha (1928- 2021) a quem quisesse ouvir. Certa vez, entrevistado pela Casa Vogue, explicou melhor: “Quando está próxima de tudo, eis aí uma residência invejável. Se eu te disser o que tem na minha casa, isso não a torna invejável. Se eu digo que está no bairro de Ipanema, você vai dizer: ‘Que desgraçado!’”. Uma larga gargalhada seguiu-se, é claro.
O maior arquiteto da história do Brasil na minha opinião (Niemeyer não conta, era um artista!) sempre defendeu a cidade como a grande invenção humana de todos os tempos. O lugar do encontro, da conversa, onde a civilização se cria e se entende como tal. O local onde a maior parte de nós habita, e ao qual consagramos uma série de edições da Casa Vogue, como esta de março que você tem em mãos.
Em nenhuma outra reportagem deste número a ideia de que a urbe é o lugar da comunhão fica tão nítida quanto no relato que Joana L. Baracuhy faz de sua visita ao Estudio Tupi, em São Paulo. Pense em um casal de arquitetos cujo desejo supremo é, as condições permitindo, largar a atividade projetual para se dedicar somente à difusão do conhecimento por meio dos livros. Assim são Aldo Urbinati e Andrea Vosgueritchian, cuja sede do próprio estúdio manifesta a aspiração: há mesas de trabalho e salas de reunião e maquete, e ainda uma biblioteca recheada com 10 mil títulos de diversos campos, como arquitetura, arte, literatura e outros, que em breve deve abrir, aos poucos, ao público. Tudo organizado em um espaço que faz lembrar uma rua interna, tal qual o Teatro Oficina, de Lina Bo Bardi.
Metrópoles que se prezam conservam, entre seus encantos, bons pontos para ouvir música e beber algo. Pouquíssimas, porém, devem ter um estabelecimento desse tipo tão fotogênico quanto o Formosa Hi-Fi, bar de audição no centro histórico de São Paulo (quer endereço mais simbólico do que o Viaduto do Chá?!) onde Adriana Frattini e Bruna Scapim ambientaram um editorial inspirado no centenário do designer dinamarquês Verner Panton. As cenas resultantes eram irresistíveis demais para não irem parar na nossa capa.
Ousando discordar do mestre, aqui na redação nós acreditamos que aquilo que uma pessoa tem na sua casa pode, sim, torná-la invejável (um pouco que seja!). Por isso este mês entramos nas admiráveis moradas de Paulo Azevedo e Fred Peclat, em São Paulo, e nos projetos de Kazuyo Sejima em Kyoto, Dimorestudio em Londres e Pascali Semerdjian no Rio de Janeiro, vizinho a Ipanema, veja você!
Naquela mesma entrevista, afinal, o próprio Paulo Mendes da Rocha reforçou nossa vocação. Não sem, na sequência, nos lembrar da soberania do espaço urbano: “Dentro da casa, é só folhear a Casa Vogue, e você vai ver estilos diferentes. O que faz a casa são os hábitos do morador. O arquiteto só pode construir a cidade”. Boa leitura!
Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
designers transformam sobras de mármore em mesas gráficas
Exibidas na MAU (Rua Fortunato, 224, Vila Buarque), as peças partem de uma afinidade criativa antiga entre os três envolvidos. Amigos de longa data, eles encontraram na coleção uma oportunidade de materializar referências compartilhadas que atravessam arquitetura, design e moda. O resultado aparece em mesas de tampo circular, produzidas em diferentes tamanhos e organizadas a partir de um jogo de faixas que alterna mármore e granilite.
Arquitetura
DW! São Paulo 2026: exposição reúne criativos afro-latinos e indígenas na Praça da República

Durante a DW! Semana de Design de São Paulo 2026, a Praça da República se transforma em um espaço de criação coletiva com a exposição Raízes em Permanência — Ancestralidade como Futuro Coletivo, organizada pela plataforma curatorial Casa Reina. Em cartaz de 5 a 15 de março, o projeto reúne mais de 25 artistas afro-latinos e indígenas e integra a programação oficial da semana, que celebra 15 anos sob o tema Legado Criativo.
Idealizada pela arquiteta e designer Michele Wharton, afro-latina de ascendência panamenha, a mostra propõe um olhar sobre a ancestralidade como base viva do design contemporâneo brasileiro. A seleção de artistas inclui nomes como Brenda Guimarães, Pietro Oliveira, Everton Souza, Erik Bonnisato, Erik Santana, Giovanna Arruda, Igor Lima, Julia Nogueira, Wesley Lemos, Zé Earns, Alex Rocca, Anna Zeferino, Ciro Schu, Gabriella Marinho, Junior Next, Mayara Amaral, Negana Pereira e Dih Morais, entre outros criadores cujas práticas transitam entre arte contemporânea, cerâmica, escultura têxtil, mobiliário, moda casa e vestuário.
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DW! São Paulo 2026: exposição reúne criativos afro-latinos e indígenas na Praça da Repúbli
A exposição assume um formato híbrido que combina mostra e pop-store, aproximando objeto artístico e funcional. As obras exploram materiais como madeira, fibras naturais, argila, tecidos e pigmentos, tratados não apenas como elementos formais, mas como parte de um pensamento material que conecta gesto, território e memória cultural.
Além da exposição, a programação inclui rodas de conversa realizadas entre 13 e 15 de março, organizadas em núcleos curatoriais dedicados a arte têxtil, design de mobiliário, escultura, joalheria autoral e artes visuais. Os encontros reúnem artistas participantes para discutir processos criativos, permanência e as novas narrativas que atravessam o design brasileiro contemporâneo.
Cadeira Girafales, design Pietro Oliveira
Divulgação
Reportagem: Mariana Conte
Captação de vídeo: Mariana Conte e Rafael Belém
Edição de vídeo: Isaque Athaydes
Fonte: Casa Vogue
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