Arquitetura

Edifício Ursulastrasse 6 / Studio Mark Randel + David Chipperfield

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© Simon Menges

Descrição enviada pela equipe de projeto. Em uma tranquila rua residencial no bairro de Altschwabing, em Munique, entre a Münchner Freiheit e o Englischer Garten, nosso cliente adquiriu um terreno com uma edificação atípica e térrea da década de 1920, com o objetivo de desenvolver um novo edifício residencial. Embora o bairro e seu perfil demográfico tenham mudado significativamente nas últimas décadas, Schwabing ainda preserva uma atmosfera artística e de espírito livre. A região é marcada por uma vida urbana intensa, com bares, restaurantes locais e internacionais, cinemas, galerias, teatros tradicionais, creches e escolas.

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O terreno está situado no meio de uma rua predominantemente caracterizada por edifícios preservados do final do século XIX e início do século XX. Algumas unidades no térreo abrigam restaurantes, cafés e lojas, mas, apesar da cena gastronômica animada, a curta rua de paralelepípedos mantém um clima silencioso. Há uma forte sensação de comunidade consolidada e de relações de vizinhança. O pano de fundo sonoro é composto pelo canto dos pássaros, crianças brincando e o som dos sinos da igreja.

Planta Local

O lote se estende da rua, na frente, até um pequeno parque ao redor da histórica igreja de Sankt Silvester, nos fundos. Desenvolvemos o edifício de modo a formar um quarteirão urbano completo em conjunto com o terreno vizinho. Nosso ponto de partida foi o chamado “plano de pavilhões”, de Theodor Fischer, no qual identificamos diversas qualidades ainda pertinentes ao desenvolvimento urbano contemporâneo. Fischer elaborou seus projetos urbanísticos entre 1893 e 1902, que serviram como referência para as normas construtivas em muitas áreas de Munique até a década de 1970. O plano propõe dois edifícios residenciais em forma de U que, juntos, conformam um quarteirão com pátio interno compartilhado. A presença de acessos arborizados entre os blocos e de cocheiras de dois pavimentos nos fundos fragmenta as fachadas voltadas para a rua, abrindo vistas para espaços semi-privados.

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Optamos por seguir o conceito de Fischer e concluir, mais de cem anos depois, o planejamento urbano originalmente previsto. Para isso, a planta e a forma da cobertura do edifício foram tomadas como premissas — trata-se de uma réplica exata do edifício vizinho e, portanto, da materialização da forma urbana originalmente pretendida. Ao alinhar as alturas dos pavimentos e das cimalhas, o novo edifício completa o quarteirão. Isso só foi possível mantendo o pé-direito dos apartamentos construídos nos séculos XVIII e XIX. Felizmente, o cliente compartilhou dessa visão e abriu mão de um pavimento adicional. A garagem subterrânea, localizada no subsolo, é acessada por meio de um elevador de veículos discreto.

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O edifício contribui para a vida do bairro com dois gestos acolhedores no térreo. O primeiro é um café que se abre generosamente para a rua, tornando-se parte do espaço público e trazendo vitalidade ao entorno. O segundo é um banco fixo, permanentemente instalado, que convida à permanência em qualquer hora do dia ou da noite, oferecendo a transeuntes e moradores um lugar ao sol no final da tarde.

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A fachada do edifício transmite uma sensação de permanência e proteção, enquanto a plasticidade e o peso visual do concreto apicoado dialogam com os edifícios vizinhos de reboco áspero. O jogo de luz e sombra presente nas construções antigas é reinterpretado na irregularidade artesanal da superfície de concreto. As marcas do trabalho manual, visíveis sob a luz rasante, conferem ao edifício uma qualidade humana singular.

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Dedicamos atenção especial ao posicionamento e às dimensões das janelas. Embora a altura dos ambientes corresponda à do edifício vizinho, as aberturas do novo prédio são significativamente maiores. O uso de guarda-corpos baixos e da altura total dos ambientes amplia a relação visual com o exterior. Como resultado, o entorno passa a fazer parte do espaço interior, e a luz solar penetra profundamente nos ambientes. A proximidade dos edifícios opostos e das árvores reforça a sensação de pertencimento ao lugar e à sua história, conferindo aos espaços de moradia uma atmosfera particular de tranquilidade.

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Nos fundos do terreno, encontra-se uma cocheira protegida de dois pavimentos, com jardim próprio. Uma passagem conecta esse jardim privado à entrada principal e, no futuro, permitirá o acesso ao pequeno parque da igreja por meio de um portão ajardinado.

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Fonte: Archdaily

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