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Habitação de Interesse Social – DE PEUS A TERRA i el cap pels núvols / Miel Arquitectos + MARMOLBRAVO + MADhel

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Descrição enviada pela equipe de projeto. Este edifício de 50 habitações sociais, localizado no bairro de Bon Pastor, em Barcelona, combina sensatez e ímpeto ao exaltar o valor do coletivo sem perder de vista o cuidado com o espaço doméstico. O projeto integra o processo de transformação das antigas “casas baratas de Bon Pastor”, um distrito habitacional criado para acolher os trabalhadores que chegaram à cidade durante a Exposição Internacional de 1929. Originalmente composto por 784 residências térreas com pátio interno, o bairro vem sendo gradualmente substituído, desde 2002, por um novo tecido urbano de edifícios multifamiliares — o nosso, com térreo mais seis pavimentos, é parte dessa renovação.

© Jose Hevia

Nossa principal preocupação foi restaurar a sociabilidade característica do bairro, tradicionalmente desenvolvida ao longo das calçadas e espaços de vizinhança. O primeiro desafio consistiu em reconciliar a nova escala urbana com a experiência do pedestre, o que nos levou a adotar uma série de estratégias projetuais voltadas à proximidade, à convivência e à continuidade da vida comunitária.

© Jose Hevia

Escalonamos dois andares em direção ao parque localizado ao sul, criando uma transição mais suave e uma frente mais acolhedora diante da área infantil. Como as fachadas principais, leste e oeste, recebem níveis semelhantes de insolação, adotamos plantas reversíveis: as salas de estar de alguns apartamentos voltam-se para o leste, enquanto as dos vizinhos se abrem para o oeste. Essa alternância reduz o número de varandas sobrepostas e confere ao edifício uma aparência mais leve e dinâmica.

Axonométrica em Camadas
Planta – Térreo
Planta – Tipo Unidades 2 e 3 – Planta – Tipo Unidades 3 e 4

A solidez e a amplitude do térreo em tijolo, em contraste com a leveza do volume que o coroa, atenuam a percepção do conjunto e equilibram sua presença na paisagem. Esse pavimento dialoga com o entorno por meio de rampas e escadas que reproduzem o mesmo acabamento das calçadas, convidando à permanência e ao percurso. Floreiras abertas estendem a vegetação preexistente, promovendo a fusão entre arquitetura e paisagem e reforçando o caráter orgânico do edifício no bairro.

© Jose Hevia

Em seguida, ampliamos os espaços coletivos, distribuindo rampas e escadas por todo o edifício até alcançar grandes portais que permitem a visão de uma rua à outra, trazendo luz e segurança ao interior — e transparência ao exterior. No interior, esses portais se estendem verticalmente, formando espaços de tripla altura que acompanham os moradores até o patamar de suas habitações. Cores vibrantes reforçam a vitalidade do conjunto e estimulam o convívio, enquanto os tetos verdes e os bancos de madeira em cada andar convidam à pausa, ao diálogo e à convivência cotidiana.

© Jose Hevia

No interior doméstico, as habitações reversíveis possuem aberturas e varandas em ambas as fachadas, favorecendo a iluminação natural e a ventilação cruzada. As amplas varandas, com vãos superiores a cinco metros, prolongam as salas para o exterior, dissolvendo o limite entre casa e pátio e oferecendo a cada moradia um espaço para sonhar. O núcleo do banheiro permanece isolado no centro da planta, graças a um espaço coringa em uma de suas extremidades, que pode funcionar como closet, despensa, área de armazenamento, segundo banheiro ou simples passagem. Esse dispositivo promove a flexibilidade de uso, estimulando a transformação, a troca de funções e até de modos de habitar.

© Jose Hevia
© Jose Hevia

A disposição alternada das varandas cria oportunidades de convivência transversal entre diferentes andares e escadas — uma verdadeira rua em altura. O edifício adota os mesmos materiais que deram origem ao bairro, preservando sua atmosfera singular: muros de tijolo vermelho com variados padrões, fachadas que revelam a beleza da imperfeição manual, elementos cerâmicos, azulejos vitrificados da Bisbal e pisos de granito contínuos entre interior e exterior. Todos esses elementos são reinterpretados e aprimorados para atender às exigências do contexto atual de emergência climática, resultando em um edifício de baixíssimo consumo energético e alto desempenho ambiental.

© Jose Hevia





Fonte: Archdaily

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