Arquitetura

Jardim de Infância African Flow / Urbanitree

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© Adrià Goula

Descrição enviada pela equipe de projeto. African Flow: Uma arquitetura que educa para a África emergente – Um jardim de infância em Camarões reimagina os espaços educacionais ao se basear nos princípios da arquitetura ancestral africana. Sua abordagem educacional promove uma conexão emocional entre as crianças e os espaços que moldam suas atividades diárias de maneira fluida e intuitiva. Os arquitetos Vicente Guallart e Daniel Ibáñez projetaram um edifício de baixa tecnologia, trabalhando com artesãos e recursos locais, utilizando madeira e terra batida como resposta às pressões de desenvolvimento acelerado.

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Planta – Cobertura
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O projeto do jardim de infância surge do desejo de desenvolver novos métodos educacionais na África. Esta instalação escolar, iniciada pelas Filhas Missionárias da Sagrada Família de Nazaré e localizada em Soa, perto de Yaoundé, a capital de Camarões, é organizada como um sistema contínuo de ecossistemas: montanha, savana, vila e floresta, que conectam as crianças com suas origens e cultura. Na escola, as crianças se deslocam ao longo do dia através de uma transição fluida entre diferentes espaços, onde desenvolvem habilidades em contextos variados e interagem com seus colegas e a comunidade escolar em múltiplas escalas de relacionamento.

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Planta – Térreo
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A escola é construída em torno de um pátio central, onde os espaços internos, organizados em quatro ecossistemas, estão conectados por um corredor. Cada ecossistema possui componentes que as crianças podem reconhecer e que ajudam a organizar suas atividades escolares diárias: *Montanha: Um lugar de inspiração e criação, com uma gruta a qual permite que as crianças se isolem em momentos de introspecção. *Vila: Um espaço de troca e interação social, incluindo uma capela projetada como um ambiente abstrato onde a luz e as paredes perfuradas incentivam o silêncio e a reflexão comunitária. *Savana: Uma grande área linear que facilita a reunião das crianças em um formato educacional que lembra uma “fogueira”, permitindo que elas brinquem no chão e em assentos nos degraus. *Floresta: Um espaço de transição entre interior e exterior, com uma árvore construída semelhante a uma estrutura de Lego que pode ser habitada, situada ao lado de uma pequena floresta natural.

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Ao longo do dia, as crianças participam de atividades que respondem aos espaços em que estão alojadas. Essas atividades incluem a assembleia geral, onde se reúnem com os professores; estimulação através de informações; exercícios utilizando barras e escadas; reflexão em um espaço que inspira espiritualidade; hora do recreio no pátio central; exploração em pequenos grupos; experimentação no laboratório de materiais; e sessões de música utilizando instrumentos locais. O design da escola é influenciado por sistemas de construção simples e padrões geométricos primitivos que surgem naturalmente da aplicação dos materiais escolhidos. Além disso, a topografia original do local possibilitou a construção de um segundo nível, que inicialmente funcionará como a residência da comunidade responsável pelo jardim de infância.

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Uma Abordagem Inovadora para a Construção Utilizando Materiais Locais – Construir em um país africano um projeto desenvolvido por uma equipe europeia pode ser considerado um processo de aprendizado mútuo. O objetivo era descobrir como um projeto modesto poderia simultaneamente inspirar a comunidade local, transmitir novas técnicas de construção e ressoar em uma escala global. Na contemporânea economia global, o termo “progresso” frequentemente se refere à implementação de processos, sistemas e materiais industrializados que visam padronizar resultados. Neste caso, o objetivo era não apenas projetar e construir uma edificação, mas também reinventar o processo de construção em Camarões. Isso envolveu o uso de materiais locais de baixa emissão de carbono, o estabelecimento de acordos com fornecedores para comercializar seus produtos localmente, a capacitação de trabalhadores e a educação de professores para apresentar o projeto como parte de uma pedagogia social que reforça o empoderamento coletivo.

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Corte 1
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Para construir o African Flow, foi realizada uma investigação abrangente para engajar fabricantes locais que normalmente exportam seus produtos para a Europa ou China. Subsequentemente, a estrutura foi construída a partir de azobé, uma madeira de alta densidade obtida localmente, que se distingue por sua resistência a cupins. A construção foi realizada por trabalhadores locais que não tinham experiência anterior com madeira, promovendo assim um processo de aprendizado coletivo que pode ser replicado em projetos futuros e promover a construção de baixa emissão no contexto da urbanização rápida. As paredes são feitas de tijolos de terra batida (não cozidos) que empregam vários padrões, permitindo que a luz entre no interior. Consequentemente, há uma continuidade entre a terra avermelhada local e o volume que repousa sobre ela. Um fornecedor local de tijolos de terra foi selecionado, utilizando tecnologia de fabricação muito básica. No interior, madeiras locais como iroko, sapele, doussie e movingui são utilizadas. Internacionalmente, elas são classificadas como madeiras tropicais e geralmente são caras; no entanto, são frequentemente empregadas como materiais de construção em Camarões.

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Corte 2
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A torre de água do complexo, que normalmente é construída de concreto, foi reimaginada como uma estrutura espacial de madeira que é coberta com uma superfície fotovoltaica. Isso garante o fornecimento ininterrupto de eletricidade e água em um ambiente caracterizado por frequentes quedas de energia. O resultado é um espaço facilmente identificável pela comunidade, construído utilizando arquitetura ancestral que foi adaptada ao ambiente. O projeto incorpora materiais e cultura locais, e emprega padrões geométricos e sistemas de construção que são notavelmente simples. Nos anos seguintes, o complexo se expandirá para oferecer um ciclo educacional completo, abrangendo desde o jardim de infância até o ensino médio.

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Fonte: Archdaily

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