Arquitetura

Pavilhão MIEL / Pezo von Ellrichshausen

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© Pezo von Ellrichshausen

À medida que as árvores próximas envelhecem, sem pressa, este pequeno volume se tornará ainda menor. Encurralado contra uma floresta escura de coihues (Nothofagus dombeyi), esse contorno concentrado e sem direção definida ganha um sentido axial, explicitamente assimétrico: um lado se eleva, talvez sugerindo a forma de um cubo imaginário, enquanto o lado oposto permanece totalmente rente ao chão.

© Pezo von Ellrichshausen
© Pezo von Ellrichshausen
© Pezo von Ellrichshausen

Essa frontalidade transforma a parede em um grande painel frontal, um plano silencioso reforçado por dois contrafortes que sustentam uma viga aparentemente inútil e na viga superior da abertura está gravado: NI MAS NI MENOS (“nem mais nem menos”, em espanhol), inscrição que contradiz o próprio silêncio da estrutura. Além desse limiar opaco — onde a folhagem é recortada por um óculo circular exagerado — já não se distingue onde termina a parede e onde começa o teto.

Desenho à Lápis
Desenho à Lápis

Embora, no interior, os vetores intencionais e gravitacionais — ou “a vontade do espírito e a necessidade da natureza”, como diria Simmel — se dissolvam em uma diagonal precisa, do lado de fora eles se tornam bastante evidentes. A topografia é ao mesmo tempo artificial e desprovida de propósito, já que alcançar o topo não altera de forma significativa o panorama.

© Pezo von Ellrichshausen

Este bloco enganoso de concreto artesanal é relativo, não importa por onde se olhe: visto de longe, parece um monumento discreto; desde a floresta, surge como uma base interrompida; e, a partir do desconforto oblíquo da sala, revela apenas algumas delicadas linhas brancas que borram a impressão deixada pelo volume. Na sua planicidade quase sem espessura, a parede torna-se irreversível: do lado de fora, a moldura de um templo para as rainhas; do lado de dentro, o desenho puro de uma cabana de madeira arquetípica. Felizmente, esse dispositivo desordenado existe menos para ser contemplado e mais para ser utilizado: ali se processa uma modesta produção orgânica de mel — por isso as rainhas.

© Pezo von Ellrichshausen





Fonte: Archdaily

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