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Na corrida da geração distribuída, a Bocaina “pluga” R$ 360 milhões na rede de energia

Na corrida da geração distribuída, a Bocaina “pluga” R$ 360 milhões na rede de energia


O mercado de geração distribuída de energia vive a sua corrida do ouro. Os projetos que receberam a outorga em janeiro do ano passado para obter isenção total de tarifas estão com prazo apertado para entrar em operação. E só quem consegue se financiar coloca a usina de pé.

A Axis Renováveis, um dos maiores players desse setor, com clientes como Raízen, Raia Drogasil, Localiza, Burger King, Votorantim, entre outros, fechou um investimento total de R$ 360 milhões, o maior do setor de geração distribuída até o momento.

E, desse montante, R$ 120 milhões vieram diretamente de um fundo de investimento em participações (FIP) de infraestrutura estruturado pela Bocaina Capital.

“Muitos projetos excelentes podem virar pó. O momento atual é de empreendedores correndo em busca de capital. A nossa vantagem é que acompanhamos esse mercado de perto desde 2015”, afirma Miguel Ferreira, fundador e managing partner da Bocaina Capital.

O Bocaina Transição Energética I é o maior fundo monoativo criado para esse projeto da Axis. A gestora de Ferreira e Gabriel Esteca entrou com o chamado capital de transição, o que permitiu à Axis emitir novas dívidas de longo prazo para chegar ao investimento total.

Com 57 plantas em 19 Estados, a Axis vai sair de 43 megawatts (MW) operacionais para mais de 120 MW no primeiro trimestre de 2025. Esse crescimento está “comprado” com metade dos painéis solares adquiridos e a outra metade com contrato assinado.

Além de ter originado a operação, que teve a coordenação do Banco Daycoval, todo o volume foi absorvido por grandes investidores da Bocaina, como multi family offices, fundos multimercados com book de crédito e clientes ultra high de private bankings.

“Teremos um retorno equivalente ao de equity com uma operação de dívida”, diz Ferreira. “Vejo um potencial de R$ 1 bilhão em operações similares em capital de transição nos próximos 12 meses.”

O capital de transição oferecido pela Bocaina busca empresas de infraestrutura que consigam passar por uma transformação acelerada. O setor de energia é um exemplo, como o caso da Axis.

Mas há oportunidades também no saneamento básico. Em março, a Bocaina deve fazer um desembolso de R$ 80 milhões em uma empresa do setor. O contrato está em fase final de assinaturas e a outra parte ainda não pode ser revelada.

Basicamente, o que a gestora busca é uma empresa mal gerida, com margens baixas e Ebitda negativo. Em um prazo de até um ano e meio e ações específicas como a instalação de hidrômetro e o controle da perda de água (no caso de empresas de saneamento), a companhia consegue sair de um Ebitda negativo para 35% de geração de caixa.

“Esse é um capital de maior risco, porque nem todas as empresas se transformam. Mas confiamos no estudo de capex, na modelagem financeira, no conhecimento do ativo e do empreendedor”, diz Ferreira.

Olhos na infraestrutura

Com um total alocado de R$ 700 milhões, a Bocaina foi criada por Ferreira e Esteca em 2020 como uma gestora de investimentos dedicada aos ativos alternativos. A escolha dos sócios foi ser nichada com o grande diferencial nas operações de crédito para projetos de infraestrutura

A experiência deles diz muito sobre essa especificidade. Esteca, por exemplo, foi o líder dos investimentos em infraestrutura na Santander Asset. E Ferreira, antes de ser o CEO da Santander Asset, foi CEO da Tarpon Investimentos, onde esteve no conselho de diversas investidas, entre elas a Omega Energia (hoje, rebatizada de Serena Energia).

Ao todo, a gestora é responsável por sete famílias de fundos exclusivos. Além deles, há um fundo de investimento em infraestrutura (FI-Infra), listado na bolsa de valores: o BODB11, que aproveita toda a expertise do time em project finance sem a exposição ao saque.

Lançado no fim de 2021, o fundo tem como alvo uma rentabilidade de 1,5% a 2,5% acima do seu benchmark, a NTN-B. Com um patrimônio líquido de R$ 340 milhões e mais de 19 mil cotistas, o retorno anualizado isento de impostos estava em 3,2%, acima da referência em janeiro deste ano.

Entre os 12 papéis que compõem a carteira, os setores de renováveis, rodovias e transmissão de energia concentram 64% da exposição. A duration mais longa é de 8,6 anos da empresa de transmissão Mez, com um spread de aquisição de 3,04%. E a mais curta é uma debênture da SAP Securitizadora de 1,8 ano, com spread de 7%.



Fonte: Neofeed

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